quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

O feirante e a Feira

Autora : Dulce Ramos.



É madrugada escura, silenciosa e fria
Vento forte e o sol ainda dormindo, esperando o dia acordar
O feirante já busca o pão de cada dia
Com saudade da noite, mas na esperança de logo cedo ganhar

No começo da manhã, o sol, a chuva, não importa
Carroça, carro, caminhão indo e vindo a parar
Ânsia de vender bravo feirante é o que conforta
Os que passam olham, pensando em comprar

No meio das ruas carrinhos sonoros são ouvidos
Barracas de tetos azuis, amarelos vão surgindo
Debaixo delas com olhos mal dormidos
Este trabalhador da feira, tudo assumindo

O sol, indiferente, no horizonte saindo
Lá vão os feirantes. Seus sacos abrindo
Dentro deles tem de tudo, ate melodias
Para sentir a vida ouvem Gonzaga e Ângela Maria

Ali, os seus produtos numa arrumação sem igual
Queijo, bolo, bolacha até “mata-fome”
Cocadas, doces e balas que não fazem mal
Feira de tudo para vender e assim, salvar o homem

Cigarros “desleais” e a corda de fumo natural
Carrinhos que andam, brinquedo funcional
Tudo ajeitado, para o cliente chamar a atenção
Valorizando seu espaço e sua dedicação

Férias existentes no mundo inteiro
Essas que ali estão de dia e à noite
Aquelas que começaram de noite até o dia
Mil roupas atendendo a quem chegar primeiro

Telas de artes que traduzem tons e emoção
Embelezam as ruas nestes dias de tanta ação
Folhas, Flores e todos vegetais para alimentação
Cama, mesa, panela, bijuterias, mais de 1 milhão

Caixas, caixotes e caixões
Cheios de tudo e ate de ilusão
O homem separa e expõe, e o tempo passando
Com a esperança do outro dia sempre voltando

O feirante cansado, mais sempre animado
Aqueles que de consumo são amantes
Vendendo as decepções de um sacrifício determinado
Vai, volta, fica, mostra, grita e a fé constante.

OBS: O poema completo pode ser encontrado na Academia.