sexta-feira, 28 de novembro de 2008

MOZART VIEIRA ! “MAESTRO".


Mozart Vieira uma árvore plantada que germina doando seus frutos!
Um maestro servo do seu trabalho contemplando reconhecimento...
São Caetano cidade do seu empenho determina um sonho momento.
Sem questionar sua total dedicação... Nascem invejosos brutos...

Que simulam obstáculos ao seu trabalho brilhoso de Maestro...
Os “Meninos de São Caetano” são premiados com futuro promissor!
Desenhando os seus sonhos e no empenho com ênfases e com amor.
Com sua “batuta” do exemplar desempenho conduz ensinamento.

Uma História no legado da sua virtude que se retrata ao cinema...
Dos desencantos a superação que vence com dignidade o sistema...
Hoje Mozart Vieira um retrato da sua formação simples em VITÓRIA!

As músicas agora em sua morada em Belo Jardim orgulho á sua altura...
No confortável da árvore os frutos são colhidos com a sua cultura!...
No demonstrar ao Brasil uma resposta cala no ovacionar da glória!


Diomedes Inácio da Silva: Poeta/Escritor, membro da Academia Belojardinense de Letras.

VIVA SEMPRE AMOR.


Vejo nos teus olhos a certeza da tua preciosa felicidade!...
Inclinada no teu encanto e no desejo da tua emoção!...
Valorizando a vida e os tantos instantes com precisão!...
Amando todos os ideais no comportamento com afinidade.

Sonhando com o amor numa explosão de afetos que segue...
Espelhando esta tua afinidade que conquistas com amor!...
Menção da vida nos detalhes que envolvem com todo frescor!...
Ponderando os teus anseios no determinar... Que prossegue...
Refém do seu passado feliz e na preciosidade que se faz...
Envolvendo com desejos do seu corpo e seu ego co altivez!...

Anunciando na grandeza de um lugar que cresce com teu fervor!...
Mencionando com argumentos na explosão do amor perfeito!...
Onde um ombro constrói o desejo amado no delinear do peito...
Refletindo este comportamento reflito: VIVA SEMPRE AMOR!...


Diomedes Inácio da Silva: Poeta-Escritor, membro da Academia Belojardinense de Letras



VERSOS LOUCOS...!!!


Versos loucos sem intenções, sem consenso e sem fim!...
Sem lirismo, sem qualidades e sem aqueles bons adjetivos.
Com palavras sem nexo, sem ternura e tão inconsecutivos...
Uma leitura doentia, numa negatividade declarada... SIM!...

Com estrofes quebradas, sem um inicio ou sem intensidades!
Sem expressões gramaticais e dum Português muito POBRE...
Sem determinação firme ou concreta e sem um teor NOBRE!...
Sem ideais, sem seduzir o soneto e sem as tantas afinidades.

Numa loucura total, sem amor, sem nenhuma conotação especial.
Sem ênfases de sentimentos e sem protestar ou um confidencial!
Uma loucura a ser observado com o seu escrito meloso intenso...


Um destoante sem sentindo e teor ou qualidades que se obedeça...
Sem ênfase ou comparação e numa total forma ou padeça!...
Num seguir sem afeto e sem um preparo intelectual imenso...



Diomedes Inácio da Silva: Poeta-Escritor, membro da Academia Belojardinense de Letras

Vinte e Seis Letras – O Nosso Alfabeto ...


Um chá de tantas letras no revigorado da fértil memória.
No incrementar das vogais-consoantes se completam em leitura!
São as novas consoantes no acrescentar da nossa literatura...
Onde as vinte e seis do alfabeto consolidam a nossa História.

Na originalidade do nosso alfabeto do Grego “Alfa-Beta”...
Ou herdamos dos Hebreus que hoje são vinte e seis letras!
A nossa sociedade já informatizada com:K-W-Y sendo neutras...
Hoje o literário no delinear da LEI para Janeiro se completa

A cultura está rica com vogais e, consoantes em dois mil e nove.
Uma razão da simetria traçada aos Países e no aceitar se promove...
Na criatividade dos Países, o K-W-Y seja bem-vindo ao português!

Estamos fortes e com liberdade de expressão com letras a inovar.
Marcando com a sensibilidade do literal no seu fiel abraçar...
São VINTE E SEIS LETRAS produzindo amor e no continuar dar vez...



Diomedes Inácio da Silva: Poeta-Escritor, membro da Academia Belojardinense de Letras

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

SER POETA


Ser poeta
E ser um ser incessante
na plenitude de amar

Ser poeta
E esperar amanhecer
na plenitude de amar


Ser poeta
E ser mais que amante
na plenitude de amar

Ser poeta
E ver na amante
A sempre amada
na plenitude de amar

Ser poeta
E ter na amada
a sempre amante
Na plenitude de amar

Ser poeta
E ter sinceridade
No encontro ou na despedida
Com a sua sempre amada-amante
na plenitude de amar

Poesia de Luiza Pinto Moura {Professora/Poetisa}

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

2008 - centenário de morte de Machado de Assis.


Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 — Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908) foi um romancista, contista, poeta e teatrólogo brasileiro, considerado um dos mais importantes nomes da literatura desse país e identificado, pelo crítico Harold Bloom, como o maior escritor afro-descendente de todos os tempos.
Sua vasta obra inclui também crítica literária. É considerado um dos criadores da crônica no país, além de ser importante tradutor, vertendo para o português obras como Os Trabalhadores do Mar, de Victor Hugo e o poema O Corvo, de Edgar Allan Poe. Foi também um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e seu primeiro presidente, também chamada de Casa de Machado de Assis.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

CORAÇÃO DE POETA


Dizem que é diferente o coração do poeta.

Nunca passei por nenhuma avaliação,

Mas creio que existe uma certa diferença em nosso coração.


Numa hora estamos alegres, radiantes,

Como nossos versos:

Claros, tão brilhantes!


Noutra, estamos tristes, apagados...

Como nossos versos mal traçados.


Coração de poeta é muito sensível !

Dizem que é inadmissível...

Ser como sou.

Mas a poesia sempre me completou.


Coração de poeta é como um vaso que nunca fica vazio;

É como um ser que sorri mesmo morrendo de frio...

Coração de poeta é assim meio tolo, anjo torto,

Se agita... mesmo morto.

Borges Lima (membro da Academia Belojardinense de Letras)

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

LEMBRAR... UM POUCO MAIS!


- Lembrar do calçamento da Rua
João Pessoa;
Da Praça da Estação, um lado só...
- A Siqueira Campos, lama no inverno,
No verão, poeira e dó...
No dia de feira, às segundas e sextas,
No tempo de antigamente, os carros de mão
E os balaieiros sofrendo sob o peso do balaio,
Sem rodilha...


- Lembrar do reizado do capitão
Antonio Marinho,
Do Boi de Duda, saindo do Cruzeiro
Do bairro do Alto Limpo,
Domingo de carnaval...

- Na sexta-feira da Paixão,
Ao som tristonho da matraca,
Nas mãos alegres de Lula Sacristão,
Chamando o povo pró testemunho
Do Cristo Jesus que expirou...

- No domingo gordo de carnaval,
Zé de Carrim desfilando de papangu bolo-de-angu,
No seu famoso vinte e nove/trinta no andar;

Com seu andar travesso de moleque alegre
Pelas ruas da cidade, na folia do folgar
Do frevo rasgado...

- Lembrar do São João, festa da gente
Nas palhoças das praças e das ruas;
Sebastião Ludugero chamando a roseira
Do seu coco mazurcado tradicional;
E Joaquim Sapateiro, chamando a sua mulé danada
"num vá lá!"


- Festa de São Sebastião, com suas bandas
Filarmônica e Cultura Musical...
A vida é dura? Não é não!
Mestre Ulisses e Mestre Zé Vieira
Discursando nos coretos em discussão,

Mas só na música... com o povão!

- Lembrar Sebastião da Relojoaria Primor, na Praça do Abrigo Monte Carlo;
Aluizio Soares da Brilhante, na Praça da Conceição.
Sebastião Andrade, vendendo gás;
Cecílio, açúcar, sal, sabão e bacalhau...
Chico Maciel, da Primavera,
- O português das Casas Costa Oliveira;
Vicente Barbosa, vendendo roupas, tecidos e chapéus
Cury, Prada e Ramenzoni,
A preços de final de ano...


- João Demétrio e sua casa de ferragens;
Seu Euclides, seu gorrinho e a padaria,
No forno a lenha, pão frncês, tareco e bolacha brota;
Zezinho Francklin, com o fubá Régio e o seu café Regente;
Ilídio Santana na sua loja de retalhos de panos e tecidos...

- Júlio Aniceto e Dona Corina,
Da Sapataria Mascote, onde dando no pé, dava no preço!...
Tancredo se Souza, na farmácia;
Dão Gouveia e Dona Etelvina, irmã do enfermeiro do SAMDU, Etemístocles..
Abaeté de Barros Correia, e seus concorrentes.


- Júlio Alves e sua banca de bicho...
Muito temp depois, vem Geraldo Barbosa e monta um
Salão de jogos de luxo... Zé Claudino abriria, no beco da igreja,
Um salão de gosto popular...
Mizael Bezerra Cacalcante, vendia tintas,
E os Torres, cachete e meizinhas, além

Do Regulador Xavier, a saúde da mulher...

- Aníbal Arruda Marinho, com seu bar Escondiinho,
- Freguesia das elites,
Nas cafuas, por trás da igreja.
Tinha também Seu Zé Ramos, do Cine Teatro São Jorge,
Das matinês dos matutos,
Nas segundas, dia de feira...
O Abrigo Monte Carlo, local de ponto de encontro
Dos fazendeiros da região,
Dos pirados e vagabundos,
Das prostitutas e ladrões,

De todas as classes de gente,
Que perambulam por aqui...
- Lembrar... um pouco mais.
Seu Doca e Dona Boa,
O Bar, Restaurante e Hospedaria Vitória,
Onde encontravam-se o Doutor Luiz de França,
Proseando com Oscar Pereira, na calçada, na cadeira,
Na sombra amiga da tarde fresca...


- Bar 2 Amigos... Riva, sim. Elias, não...
E tinham as bombas colossais,
Fabricadas pelo Mestre Varejão.
José Gelcino de Oliveira, o Xarope de toda a região.
Peito de Aço, "gaiganta de alumina",
Jornal velho era a sua especialidade, de vendê-los fora de ocasião...
Tinha Zé Cândido dos secos molhados,
Lá na Praça da Estação,
Lula Ramos, e sua loja "A Graciosa",
Vendendo perfumarias finas e artigos para presentes...


- Havia Dr. Fernando Dias de Abreu, o médico da família
Pobre ou rica, de Belo Jardim, de todas as horas e de todos os momentos;
Zequinha Caravéia, Vicente Lobão,
Seus enfermeiros de ocasião, sempre prontos par atender
Quem quer que fosse.
Severino e Peba, os dois engraxates cadeiras-cativas;
Pedrinho Zanôi, o retratista, detrás das Casas Oliveira;
- O beco por trás da Igreja matriz,
Com seus cegos, seus mulambudos, seus pedintes

Dos restos dos fim de feira,
Da gloriosa segunda-feira, que os tempos não trazem mais
Aos pés da Santa Padroeira!


- Mas vale a pena lembrar!
Lembrar... Só um pouquinho mais!

Gil Morais (membro da Academia Belojardinense de Letras)

terça-feira, 16 de setembro de 2008

VAI ALI EM CONSTANTINO...


Ao rever nossa história, no passado, nossas vidas, numa cidade que sempre recebeu os imigrantes, de braços abertos, sem causar ciúmes aos seus filhos "naturais" , os Belojardinenses de hoje e do amanhã , não poderão esquecer nem fazer que os outros que nascerão mais tarde, esqueçam o português que aqui chegou, dando-nos uma bela lição de vida, lembrando um grande escritor-filósofo, ao perpetuar esta frase: "a vida é curta demais para ser pequena".
"Seu Oliveira", no mundo, ele escolheu Belo Jardim para substituir a terra de Camões, onde ele nasceu, trazendo depois o seu irmão - sobrinho, Aqui, fez sua história, seus momentos de prazer e de glória, dando a Belo Jardim, há 50 ou 60 anos, um visual de comércio bastante do passado mais distante. Era a histórica Portuguesa.
O tempo passou,o mundo se modificou em todos os aspectos, e Constantino manteve o ideal do seu irmão-tio, o amor a Belo Jardim, até maior do que o de muitos que aqui tiveram o seu berço.
E hoje, no mesmo lugar, olhando a Praça da Conceição, no tradicional Beco da Igreja por onde, diariamente, passam centenas de pessoas, pensando na vida e procurando soluções para os impasses, problemas, ideias e outros, aproveitando e pedindo a Deus para iluminá-los no dia-a-dia; ali, permanece a encantadora loja de Constantino, este homem inteligente, ético e grandioso empreendedor, pois ampliou os seus negócios na capital do Leão do Norte e fez um apelo a São Bento para protegê-lo ainda mais e ele proteger São Bento, também.
Nunca, entretanto, abandonou este Belo Jardim, onde fez amor, recebeu amor e amizades, constituiu uma valorosa família Belojardinense, mantendo sua tradição comercial tanto portuguesa como mais "brasileira com certeza" e demonstrando suas admiráveis atitudes morais em toda sua vida; esta cidade do Bitury tem por ele, infinita consideração, imensurável respeito, e eterna gratidão, uma vez que nunca a desprezou nem a esqueceu.
Constantino Maia: Tecidos coloridos, estampados, sedosos, modernos, juntamente com inúmeros artigos de valor renovaram sua loja, enfeitando o comércio da cidade, embelezando os clientes e relembrando a histórica "Portuguesa".

Dulce Ramos (membro da Academia Belojardinense de Letras)

O SARAPATEL DA ZEZA


Segundo Aurélio, sarapatel é uma iguaria preparada com sangue, fígado, rim, bofe, tripas e coração de certos animais,especificamente porco e carneiro, com abundância de molho, e bem condimentada.E por falar em sarapatel, veio-me à lembrança o sarapatel preparado por Josefa Gomes Vieira de Souza, a Zeza de Vavá,maestro da banda Filarmónica São Sebastião, de Belo Jardim.
Conheci Zeza em meados dos anos 70,quando eu, Carmem minha esposa e André meu filho primogênito, morávamos no bairro do Ipsep, no Recife. Fizemos uma grande amizade. Amizade de irmãos.E Zeza foi e continua sendo interessada e muito pelas notícias de Belo Jardim. Ela conheceu Vavá, quando este ainda era soldado músico o Exército, em Socorro, Jaboatão.
Vindo da localidade Chã dos Patinhos em Vitória de Santo Antão para morar com seus pais em terras da Usina Pedrosa, em Cortês, Zeza transferiu-se depois para o bairro de Tejipió, onde estudou no Colégio Dulce Campos.E foi ai ,que conheceu Vavá que morava com Lula Dragão,que também era músico-militar,numa rua defronte do colégio. Vavá não resistiu ao assédio da filha de D.Joana,uma descente de índios e terminaram juntando os chinelos há 46 anos.
Zeza ,desde menina, tinha tendências de mulher prendada.Cozinha bem e sabe receber melhor ainda as visitas em sua casa. Nos eventos caseiros nunca falta o famoso sarapatel, o prato especial que se destacava como o "o melhor da festa".O sarapatel da Zeza não tem segredo nenhum como ela gosta de dizer. É feito com miúdos, sangue, fígado,rim,bofe e coração do porco. Bem condimentado, bem lavado e escaldado em água quente e limão.Leva ainda cominho, pimenta do reino, colorau, sal a gosto, vinagre, alho,cebola, tomate sem pele, coentro,cebolinha, pimentão. Ela passa cerca de duas horas para cortar a banha para temperar o torresmo e essa banha é usada no próprio sarapatel. Ela também tempera o sarapatel com os temperos secos, cominho, colorau, sal, alho e pimenta do reino e coloca no fogo.
Depois, corta os temperos verdes num trabalho que tem a duração de quase 4 horas. Faz mais de 35 anos que eu e minha família convivemos com Vavá e Zeza. E Zeza é para nós como uma autêntica irmã; O sarapatel, nesse caso,representa um elo entre Vavá, Zeza, eu, Carmem, André e agora, Daniela.O resto fica por conta do respeito e da admiração que comungamos com bastante reciprocidade.
O maior segredo do sarapatel da Zeza e que ele é feito com muito higiene e com muito carinho.É servido simplesmente com farinha e limão.E tem umadupla vantagem: não faz mal ao estômago e faz bem à saúde,principalmente a do bolso do convidado.


Bartolomeu Marinho (membro da Academia Belojardinense de Letras)

SABRINA...!


SABRINA esta palavra e nome que encanta o meu ego e coração!
Sonhando com os momentos de pureza e afeto do meu prazer.
No deleito do meu corpo e na fragrância do viver...
Sentenciando-me aos teus desejos amados com tamanha emoção!

Uma palavra de amor no possessivo desejo da alma combina...!
Neste envolvente prazer consentido o sublime da vida conclui;
Sou este ínfimo desejo da carne e desta grandeza que evolui...!
Na grandeza do teu nobre coração onde aqui espero SABRINA!...

No meu leito a dormir e sonhar no despertado do meu envolvimento,
Procuro-te em meu quarto e sinto apenas no vago do meu pensamento...
Onde aqui estou de corpo e alma carente e esta firme espera!

No aconchego do meu leito vazio e na carência do meu coração!
Que ao te ver e desejar como mulher sente-me com tanta emoção!
Que aumenta e segue sem a certeza que em meu peito não libera...!

Diomedes Inácio da Silva (membro da Academia Belojardinense de Letras)

sexta-feira, 25 de julho de 2008

DIA NACIONAL DO ESCRITOR


25 de julho é o Dia Nacional do Escritor. No país de Monteiro Lobato, Cecília Meireles, Ziraldo e tantos outros, a data não poderia deixar de ser comemorada. Instituída em 1960, essa comemoração foi definida por decreto governamental após o sucesso do I Festival do Escritor Brasileiro, organizado por iniciativa de João Peregrino Júnior e Jorge Amado, respectivamente, presidente e vice-presidente da União Brasileira de Escritores naquela época.


Escrever é deixar fluir sentimentos, emoções, vida…
Criar personagens, construir estórias, traçar caminhos
Brincar de ser deus, decidindo o destino das pessoas
Ainda que fictícias…
Escrever é uma carta de amor, um verso romântico
Um erotismo sedento, um amor violento
Um passeio sem fim pelos sentimentos
Trançando destinos em todos os momentos…
Escrever é deixar-se invadir por um sonho
Pesquisar e revelar segredos imensos
Dizer, em versos, o que lhe parece tristonho
Ou contar uma prosa com amores intensos
É preocupar-se com a métrica exata
Ou então, rimar sem muito nexo
Falar de amor, de dor ou de sexo
Ou da paixão que nos arrebata
Amor platônico e distante
Política, Ciências, Filosofia
Escrita que, num instante,
Transforma tudo em poesia…

domingo, 13 de julho de 2008

AOS ACADÊMICOS



A firmeza e toda dedicação que se alinha ao ESCRITOR-POETA;
Conhecendo com um espírito voltado para o saber divulgando...
Associando com presteza os eventos de autores proclamando!
Dissecando os nossos CONFRADES da carteira tem a sua META...
Espelhando os seus deveres da pomposa e honrada ACADEMIA;
Menção que foi outorgada aos intelectuais aqui participantes...
Indicando seus discípulos a inovar as criações elegantes!
Aderindo e promovendo assuntos literários com simpatia!...

Brotando com a fertilidade da mente que incansável concilia!...
Elegendo ou delegando momentos marcantes que conduzem!...
Logrando os elogios ao nosso ego e conquistando com experiência...
Ovacionar os nossos eleitos IMORTAIS elegantes em evidência!...
Jornadas em plural dos produtivos sentidos ao escrever produzem...
Adicionar os nossos conhecimentos no prestígio da nossa leitura.
Razão da nossa fidelidade produzindo como autor da cultura!...
Disciplinando os oportunos desejos das LETRAS... Não reduzem!...
Indicando trabalhos na ousadia do ego e o todo saber com amor!...
Nostalgia dos encontros com musicais, danças, bale e amizades!...
Enaltecendo os trabalhos na elegância do natural dos CONFRADES!...
Numa constância a nossa confraternização e do nosso futuro leitor...
Servindo e colaborando com lealdade o posicionar do todo servir!
Exaltar a firmeza da nossa cultura numa afirmativa ao universo!...

Dentro da nossa postura onde a terra e, o sol entende e não disperso.
Enaltecendo a nossa História das participações do todo produzir...

Labutar com simplicidade da inteligência dos nossos militantes...
Evidenciando os momentos e os progressos onde se fala ou conversa!
Tornando os talentos dos trinta e cinco Confrades com união!...
Respeito aos tantos criativos trabalhos e elogiando num aprovar...
Assim somos Académicos fieis onde os autores podem elogiar!...
Saúdo com estima a Academia Belojardinense de Letras e BRASÃO!...


Diomedes Inácio da Silva (Poeta/Escritor, membro da Academia)

quarta-feira, 2 de julho de 2008

MULHER


A você mulher: menina, moça, senhora;
Não importa a modalidade que você se
Encontre, pois se és "filha", também será
"Mãe", assim como também será "Avó",
Isto com certeza é o ciclo natural da vida
Que assim o foi e sempre será.

A você mulher: guerreira, atónita, prolixa,
Tímida, extrovertida, vencedora, matnarcal,
Em suma, tudo isto, e mais um pouco, que
Luta todos os dias, o dia todo, sempre em
Busca de um futuro melhor.

A você mulher: que tem o dom de gerar um
Filho, de ser "Mãe", de ser tudo, de ser
Maravilhosa, de mostrar para os homens,
O quanto és batalhadora.

Resumo meu singelo poema em alguns versos:

Seres simplesmente "Mulher", é muito pouco,
Pois isto, a natureza já o fez com muita propriedade;
Agora seres à "Mulher", aquela que enxerga novos
Horizontes, aí sim, serás imprescindível.

José Airton da Silva (Poeta/Escritor, membro da Academia)


terça-feira, 1 de julho de 2008

MEU PRIMEIRO CORDEL




Depois do céu solitário
Pôr um manto azul e largo
Em janeiro e fevereiro
Um homem foi ver a data
Num bloco a lentas passadas,
Roçando sobre ele o dedo.

Buscou logo o mês de março
Com o seu olhar cansado,
De quem vê num dia um mês.
Viu-se ao dia dezenove.
E viu que a esperança morre,
Mas também nasce outra vez.

Eu fiquei no meu lugar:
Um matuto a matutar,
Perguntando pra mim mesmo.
Pra perguntas assim feitas,
Não existe resposta feita,
E, se existir, é segredo.

Pegou seu chapéu de palha,
Largou nas costas a enxada,
E a sementeira nos quartos.
Partiu sem tristeza alguma,
Andou três horas em uma
Na direção do roçado.

A rapidez não foi tanto!
Incrível é dizer que quando
Levantou a sua enxada
Pra começar seu ofício
Este último sacrifício
Já tava debaixo d’água.

Lamentou não ir á missa
- uma atitude postiça-
E fez o Sinal-da-Cruz.
Cavava, chorava, ria,
Rezava ao santo do dia
E agradecia a Jesus.

Em cada cova três grãos
De milho e de gratidão.
Mesmo plantando era grato
Só por já poder sonhar,
Um sonho poder plantar
Mesmo que não fosse ao pranto.

Até aí não dissera
Uma palavra sequer.
Enfim gritou: São José!
Louvado seja o teu nome!
Bebo sede, como fome
Na mesa cheia de Fé!

O tempo desliza solto,
E em silêncio nascem brotos,
Depois pendões e as espigas
-Bonecas soltando ao vento
Cabelos sem pensamento
Lavados por leve brisa.

É colheta. É culinária.
É a resposta esperada:
Comida na mesa posta
Que a São João foi pedida
E,por São João, trazida,
Escolha a que você gosta!


Robervânio Luciano (Poeta/Escritor, Professor, membro da Academia)

CONFRADES!...


Somos trinta e cinco Acadêmicos divulgando as intelectualidades...
Uma união de Cultura no editar de obras de tamanhas conquistas...
Com determinar feliz do confrade, o dever das palavras mistas!
Neste unir de um alavancar fragrantes das tantas possibilidades.

E numa visão voltada para um grande sentido que nos enaltece...
O todo curso de propósitos alinhados a um desenhado dever!...
Envolvendo sentimentos e aprimorando o nosso dinâmico escrever!
Num certo elaborar do amor literário, que nasce, divulga e acontece...

Escrevendo ou digitando, num transbordar das nossas boas criações!...
Processando com as fantasias poéticas e de escritores com emoções!...
No musical ou pintura, desenhar e esculpir com felicidades.

Estamos reunidos no elaborar de argumentos promovendo cultura!
Enaltecendo com amor e sensibilidades com a formal postura...
A nossa Academia Belojardinense de Letras... A todos os confrades!
Diomedes Inácio da Silva (Poeta/Escritor, membro da Academia)

RESISTÊNCIA



O ABC da vida
Em certos momentos
É tão trágico,
Outros, patéticos...
Momentos mágicos
Momentos quiméricos,
Momentos de anil
Azul da cor do céu...
As velhas Histórias Não se traduzem.
Apenas dizem
Com outras palavras,
Os mesmos aneis
Que formam a cadeia da vida...
Mudam-se as figuras
Os tempos e o modismo;
Mas a idéia continua a mesma...
Sonolentos olhos...
Nas madrugadas puxadas
A álcool e fumo
Ou á insônia mesmo,
E o que se vê?
Rituais de velhos mitos
Que o tempo teima em apagar...
É proibido sonhar?
É proibido proibir,
E eu RESISTO !!!

Gil Morais (Poeta/Escritor, membro da Academia)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Belo Jardim - Oitenta anos


Bitury de água doce,cristalina
Es a fonte primeira da cidade
Levas vida e a vida nos ensina
Orgulho maior da comunidade.

Jardineiro,jardinense,pouco importa
Amante natural que a ti exorta
Rudimentos de paz e alegria
Destinada a ser no agreste artéria aorta
Irrigando seu vigor de porta em porta
Monumento de amor e harmonia.

Outrora foste vila insipiente
Ilustre povoado florescente
Travessia comum ao viajante
Enfrentaste sempre corajosamente
Naturais desafios que certamente
Transformaram tua história, e docemente
Assumiste teu papel preponderante.

Ao Belo jardinense irmão querido
Nestes oitenta anos de história
Outros anos virão pra tua glória.
Serei sempre a ti agradecido.

Marcelino Alcântara (Poeta/Escritor, membro da Academia)


terça-feira, 17 de junho de 2008

ONTEM CHOREI DE SAUDADE...


E AQUI TEM LUA TAMBÉM?

Vim do mato, vim de longe,
Vim do verde que é verde -
Verde-claro, verde-escuro,
Verde-lima do canavial

Vim de onde o céu aberto
Derrama estrelas no chão
Onde a lua sem respeito
Desnuda indecente clarão

Vim por uma estrada grande
Que despejava riqueza
De um lado explodiam vacas!
De outro, cana. Beleza!

Mandioca, carne e porco;
Laranja, galinha, goiaba
Peixe de rio em abundância,
Quiabo seco, sem baba

Cheguei na cidade, o asfalto,
Concreto, poste luz
Não pensei que houvesse chuva
Moça, menino seduz

A noite pensei que era escura
Mesmo que estivesse nua,
Mas quando olhei pra distante
Vi muita gente na rua

Arregalei grandes olhos
E vi que tudo brilhava
Num banho prata insistente
Surpreso, me embasbacava

Dei uma olhada de novo
Pra cima, pro céu, pro além
Sem saber, gritei pra todos:
- E aqui tem lua também?


Borges Lima
(Poeta/Escritor, membro da Academia)

BELO JARDIM-OITENTA-ANOS!... ( 11 de setembro de 1928 )


Belo Jardim um acervo vivo de uma humanidade no brilhar florido...
Enternecendo as famílias e legando o seu potencial determinado.
Labutando no fervor do pecúlio e no desenvolvimento designado.
Obtendo para si as privilegiadas manifestações ao referido!...

Juramentando seus conceitos num seguimento devido e definidos!
Almejando as boas iniciativas aos seus ideais firmes e conseguidos!
Realidade das tuas conquistas no galgar que é o teu produzir...
Dimensionando as tuas tendências de grandezas em teu proclamar.
Introduzindo as tuas iniciativas no conceito do teu elaborar.
Mantendo a hegemonia crescente no seu determinado e concluir.

Ovacionando a tua liderança a quem se declara aos teus feitos...
Inovando com a tua pronta dignidade de município criador!
Trabalho e determinação na fértil experiência do teu sentido...
Enaltecendo com franca fraternidade ao definir teus direitos.
Num somado positivo e contorno das tuas divisas sólidas também!
Traduzindo na tua supremacia dentro da LEI e consciente do BEM!
Administrando com prestes das firmes conquistas dos teus feitos...

Anunciando as tantas evoluções na prosperidade que sempre TENS!
Numa ousadia da LUZ e no desejo de Deus que o quer e nos conduz...
Onde as conquistas dos frutos que são plantados e que se produz!...
Soberano BELO-JARDIM-OTENTA-ANOS de glórias aos nossos PARABENS!

Diomedes Inácio da Silva (Poeta/Escritor, membro da Academia)

domingo, 15 de junho de 2008

A BORBOLETA


Voando pelo ares, amando a natureza
Buscando as flores para beijar
Coloridas, mostrando diferenças na beleza
Que só Deus sabe realizar.
Na vida, para sonhar, é preciso voar.
Mas nem tudo passa de sonho
A borboleta sabe onde a flor está
Mas o ideal humano continua sonho
E como a música apaixona a humanidade,
As flores dão à borboleta a sedução,
Realizando seu snho, de verdade,
Enquanto tentamos, dos sonhos, a realização.
Morre a borboleta e milhares a nascer
Até na água um peixe ornamental
Chamado borboleta, querendo ela ser.
E o homem sonhando, até no seu vôo final.

Dulce Ramos

domingo, 8 de junho de 2008

A ti, Belo Jardim


És um imenso jardim, cidade bela
A flor primaveril que se desvela
Perfume primoroso, celestial
Cadinho cultural que a si tutela
Terra de músicos, de gente tão singela
Jardim de nossas vidas, aurora boreal

Pulsando nas artérias, a juventude
Lutando no trabalho, o homem rude
Agigantando-se no agreste setentrional
Repouso de velhinhos amiúde
Natural repositório de saúde
És belo, és jardim matriarcal.

Encantas, por belezas fulgurantes
Despertas as paixões estonteantes
Nos corações febris, amor demais - ,
Aqueles que de ti estão distante

Recordam as paisagens deslumbrantes
Felizes, não te esquecerão jamais.

A ti, Belo Jardim, felicidades
A ti, que és a cidade das cidades
Neste momento octogenário
Que a sua luz nos traga claridade
Que a sua paz nos dê serenidade
Os votos de feliz aniversario!

Marcelino Alcântara

As possibilidades humanas!...


O humano o que tem de mais perfeito?!... É o sagrado?!...
É a grandeza oportuna que se dar a estas possibilidades...
O sentido possível superar as conscientes peculiaridades!...
É o segredo deste elo de expressão de quem é migrado.

São as tantas possibilidades que se elevam ao infinito!...
Que induz e traz para si os resultantes de seu proclamar.
Nesta hipocrisia e na discórdia que se faz ao te amar!...
Quando no teu encanto ávido-ser e no desejado da luz e espírito.

No afagar das possibilidades que surgem no alinhado castigo...
Nas expressões e impressão do amor que sentimento é expressar?!...
No obscuro da vida a liberdade busca limites ao te proclamar.
Neste advento pessoal as questões concentram-se contigo...

Numa expressão o subordinado tende a uma busca e prestígio...
Quando amamos nos encantando com a sabedoria do profundo...
Neste propenso saber de uma possibilidade tende a este mundo!...
No degustar fadado da vida, nada segue sem deixar um vestígio!...

O que se expressa determina ao universo apenas uma possibilidade...
Quando nos determinamos seguimos ao incentivo de uma amada!...
Construindo o nosso efetivo saber no possível da tua declamada...
Que seguem no horizonte de fartas possíveis conceitos da lealdade.

No modelado do universo e no observar das nossas possibilidades...
Produzimos para si o passamento da verdade são determinantes!
Tudo se alinha aos fracassos ou as tantas lideranças dos farsantes...
Nem o teor de uma liberdade será o sentido das confiabilidades...

Na tentativa de expressão as possibilidades se alinham ao humano.
No consenso dos atos o fito se alinha aos temas de uma verdade...
Que inserida consolida o fadado de uma vinculada veracidade.
Que na graça de uma ponderada ferramenta tudo se proclama...

Ao amor tudo se modela com o bem e com o mal que se recolhe...
Numa abertura ampla que se mantém na possibilidade vinculada.
Quando ao fracasso uma renovada renovação triunfa imaculada...
Ao saber da glória tudo se determina com o amor que se acolhe!

Diante da possibilidade humana tudo será determinado com amor!
Neste julgamento ao conceito vence toda uma determinação,
Que se consolida com o corpo e alma com toda devoção!...
No alinhado sentimento que devolve todo sentido deste fervor!...

Neste desdém de uma veracidade de um poeta em possibilidade;
Tudo se desenvolve com a certeza que nos será determinante...
Numa consciência ampla de uma alma e espírito fiel avante...
Neste âmago de um ser que se alinha e segue nesta passividade...


Diomedes Inácio da Silva

domingo, 11 de maio de 2008

FERNANDO PESSOA

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: "NAVEGAR É PRECISO; VIVER NÃO É PRECISO."
(Navigare necesse; vivere non est necesse" - latim, frase que Pompeu, general romano, 106-48 aC., dita aos marinheiros, amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra).

FERNANDO PESSOA, escritor português, nasceu a 13 de Junho, numa casa do Largo de São Carlos, em Lisboa. Aos cinco anos morreu-lhe o pai, vitimado pela tuberculose, e, no ano seguinte, o irmão, Jorge. Devido ao segundo casamento da mãe, em 1896, com o cônsul português em Durban, na África do Sul, viveu nesse país entre 1895 e 1905.


Eu tenho um colar de pérolas
Enfiado para te dar:
As pérolas são os meus beijos,
O fio é o meu pesar.

A Terra é sem vida, e nada
Vive mais que o coração...
E envolve-te a terra fria
E a minha saudade não!

Se ontem à tua porta
Mais triste o vento passou
Olha: levava um suspiro...
Bem sabes quem te mandou...

Entreguei-te o coração,
E que tatos tu lhe deste!
É talvez por estar estragado
Que ainda não mo devolveste...

A caixa que não tem tampa
Fica sempre destampada
Dá-me um sorriso dos teus
Porque não quero mais nada.

Duas hora te esperei
Dois anos te esperaria.
Dize: devo esperar mais?
Ou não vens porque inda é dia?

Dias são dias, e noites
São noites e não dormi...
Os dias a não te ver
As noites pensando em ti.

Teus brincos dançam se voltas
A cabeça a perguntar.
São como andorinhas soltas
Que inda não sabem voar.

sábado, 3 de maio de 2008

A ESQUINA DE RITINHA

A saudade eternizou-se na esquina de Ritinha
Pequenina, engraçadinha, sorria todo dia
Mesmo "sem vida", gostava de sua vidinha
Alegre, conversava e a todos divertia.

Por mais que se viva, a vida é breve
E sempre haverá a presença da ausência
E a lembrança sem saudades não se escreve
E nem o novo colorido esquecerá a sua residência.

De lá, ela também via outras esquinas
E ao sair na porta, só sentia alegria.
Todos falavam, cantavam e, ela, na sua esquina,
Com o prazer de viver e amar quem ela queria.

Ritinha olhava para a praça do lado
Vendo o Correio enviar comunicação
Recebia os amigos para o café "cuado"
E todos os vizinhos tinham Ritinha no coração.

Dulce Ramos (Academia Belojardinense de Letras)

sábado, 19 de abril de 2008

Pioneiro do rádio saiu de Belo Jardim

Ademar Casé é daquelas figuras que muita gente gostaria de ter conhecido. Nascido numa família de poucas posses, em Belo Jardim, no interior de Pernambuco, se tornou conhecido nacionalmente pelo programa de rádio que levava seu nome e ficou no ar durante 20 anos, a partir de 1932. Casé se firmou mais como produtor do que como artista e a família agora busca resgatar sua memória. Um dos responsáveis por dinamizar a programação do rádio, criando espaço para os músicos e cantores e valorizando o teatro e a música clássica nos estúdios, ele é tema do documentário Programa Casé - O Pioneiro da História, que está sendo preparado pela Pindorama Filmes, produtora da atriz Regina Casé e seu marido, o fotógrafo e diretor de cinema e TV, Estevão Ciavatta.

Com apoio do Governo de Pernambuco e da Prefeitura de Belo Jardim, Estevão esteve com a família e a equipe de filmagens no interior do Estado no fim de semana passado. Eles gravaram na Feira de Caruaru e no Alto do Moura, onde Geraldo Casé, pai da atriz e primogênitode Ademar Casé, visitou a Casa de Mestre Vitalino. "Estamos refazendo a viagem que meu pai fez com a família em 1948. Ele voltou a Belo Jardim quando melhorou de vida, veio de navio, trazendo o carro importado. Papai chegou a vender laranjas no porto, vendeu rádios Philips e estar aqui de novo é uma experiência inusitada", garante Geraldo Casé.
O grupo, com 11 pessoas, sendo seis da equipe de filmagem, teve passagens aéreas e hospedagens pagas pelo Governo. Mas o documentário, orçado em R$ 800 mil, está inscrito nas Leis Rouanet e do ICMS do Rio de Janeiro, equivalente ao Sistema de Incentivo à Cultura Estadual e precisa de verba para ser finalizado. O projeto vem sendo tocado há cinco anos. "Estamos atrás de financiamento para terminar a produção. O que talvez aconteça no final deste ano", adianta Estevão Ciavatta, que também dirige o Um Pé De Quê?, programa da TV Futura, que mostra as árvores existentes em território brasileiro.

Além dele, de Regina Casé e do pai da atriz, participaram da viagem, Benedita, filha de Regina, Virgínia, irmã da atriz, e outros bisnetos de Ademar. Em Belo Jardim, a pequena caravana de Regina Casé recebeu homenagens e ajudou a inaugurar o laboratório de informática da faculdade Fabeja (Autarquia Educacional de Belo Jardim). "Acho fantástico que tenha sido algo ligado à tecnologia, porque meu avô adorava a modernidade, sem perder os costumes nordestinos. Se a fita cassete enganchava no rádio, ele metia uma peixeira", conta Regina.

A hora do cansaço

As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.

Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.

Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nos cansamos, por um outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.

Do sonho de eterno fica esse gosto ocre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.

(Carlos Drummond de Andrade)

Colaboração de LUANNA ALBUQUERQUE BORGES

quarta-feira, 16 de abril de 2008

JOAQUIM NABUCO

Joaquim Nabuco ou Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo, nasceu em 19 de Agosto de 1849 em Pernambuco, faleceu em 17 de Janeiro de 1910 em Washington, DC. Filho de um rico jurista e político baiano, José Thomaz Nabuco de Araújo, que se radicou no Recife, Joaquim Nabuco se opôs de maneira veemente a escravidão, contra a qual ele lutou tanto por meio de atividades políticas e quanto de seus escritos. Ele fez campanha contra a escravidão na Câmara dos Deputados de 1878, e fundou a Sociedade Anti-Escravidão Brasileira. Ele foi em grande parte responsável pela abolição da escravidão em 1888, e depois da derrubada da monarquia brasileira ele se retirou da vida pública por algum tempo.
AS FRASES ABAIXO DE JOAQUIM NABUCO, FICARAM NA HISTÓRIA:
1 - Uma das maiores burlas dos nossos tempos terá sido o prestígio da imprensa. Atrás do jornal, não vemos os escritores, compondo a sós o seu artigo. Vemos as massas que o vão ler e que, por compartilhar dessa ilusão, o repetirão como se fosse o seu próprio oráculo.
2 - O pensamento, apesar de tudo, é uma esterilização. Não há perigo de que ele venha, algum dia, a triunfar sobre a natureza, que é a vida.
3 - Os invejosos invejam-se reciprocamente.
4 - A oposição será sempre popular; é o prato servido à multidão que não logra participar no banquete.
5 - O reinado da mulher talvez venha um dia a ser realidade, mas será precedido por uma greve geral do amor. O sexo que suportar por mais tempo essa inatividade acabará por triunfar sobre o outro.
6 - A escravidão não consetiu que nos organizássemos e sem povo as instituições não tem apoio, a sociedade não tem alicerce.
7 - ...enquanto a nação não tiver consciência de que lhe é indispensável adaptar à liberedade cada um dos aparelhos do seu organismo de que a escravidão se apropiou, a obra desta irá por diante mesmo que não haja mais escavos.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

NELSON RODRIGUES

"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico."

Nelson Rodrigues nasceu da cidade do Recife - PE, em 23 de agosto de 1912, quinto filho dos catorze que o casal Maria Esther Falcão e o jornalista Mário Rodrigues puseram no mundo. Os nascidos no Recife, além do biografado, foram Milton, Roberto, Mário Filho, Stella e Joffre. No Rio de Janeiro nasceram os outros oito: Maria Clara, Augustinho, Irene, Paulo, Helena, Dorinha, Elsinha e Dulcinha.
Seu pai, deputado e jornalista do Jornal do Recife, por problemas políticos resolve se mudar para o Rio de Janeiro, onde vem trabalhar como redator parlamentar do jornal Correio da Manhã. Em julho de 1916, d. Maria Esther e filhos chegam ao Rio de Janeiro num vapor do Lloyd.
Haviam vendido tudo no Recife para cobrir as despesas de viagem, e tiveram que ficar hospedados na casa de Olegário Mariano por algum tempo. Em agosto de 1916 alugaram uma casa na Aldeia Campista, bairro da Zona Norte da cidade, na rua Alegre, 135, onde a família Rodrigues teve seu primeiro teto na cidade.
Com o autor vivendo seu quarto ano de vida, um fato pitoresco: uma vizinha, d. Caridade, invade a sua casa e diz para sua mãe: "Todos os seus filhos podem freqüentar a minha casa, dona Esther. Menos o Nelson." Como ninguém entendesse a razão de tal proibição, ela afirmou: vira Nelson aos beijos com sua filha Odélia, de três anos, com ele sobre ela, numa atitude assim, assim. Tarado!
Nelson inicia sua carreira jornalística em 29 de dezembro de 1925, como repórter de polícia, ganhando trinta mil réis por mês. Tinha treze anos e meio, era alto, magro e seus cabelos eram indomáveis. Embora fosse filho do patrão, teve que comprar calças compridas para impor respeito aos colegas de redação.
Ali reuniam-se colaboradores ilustres: Antônio Torres, Monteiro Lobato, Medeiros e Albuquerque, Agripino Grieco, Ronald de Carvalho, Maurício de Lacerda e José do Patrocínio. Além desses, havia a turma da casa: Danton Jobim, Orestes Barbosa, Renato Viana, Joracy Camargo, Odilon Azevedo e Henrique Pongetti. Outra figura de A Manhã era Apparício Torelly — Apporely — que mais tarde se autodenominaria "Barão de Itararé" e fundaria seu próprio jornal, A Manha.
O autor impressiona os colegas com sua capacidade de dramatizar pequenos acontecimentos. Especializou-se em descrever pactos de morte entre jovens namorados, tão constantes naquela época.
Romances:
1 - Meu destino é pecar,"O Jornal" - 1944 / "Edições O Cruzeiro" - 1944 (como "Suzana Flag")
2 - Escravas do amor, "O Jornal" - 1944 / "Edições O Cruzeiro" - 1946 (como "Suzana Flag")
3 - Minha vida, "O Jornal" - 1946 / "Edições O Cruzeiro" - 1946 (como "Suzana Flag")
4 - Núpcias de fogo, "O Jornal" - 1948. Inédito em livro. (como "Suzana Flag")
5 - A mulher que amou demais, "Diário da Noite" - 1949. Inédito em livro. (Como Myrna)
6 - O homem proibido, "Última Hora" - 1951. "Editora Nova Fronteira", Rio, 1981 (como Suzana Flag).
7 -A mentira, "Flan" - 1953. Inédito em livro. (Como Suzana Flag).
8 - Asfalto selvagem, "Ultima Hora" - 1959-60. J.Ozon Editor, Rio, 1960. Dois volumes. (Como Nelson Rodrigues)
9 - O casamento, Editora Guanabara, Rio, 1966 (como Nelson Rodrigues).
10 - Engraçadinha: seus amores e pecados, "Companhia das Letras.
11 - Núpcias de fogo, "Companhia das Letras", São Paulo. (como Suzana Flag).
Contos:
- Cem contos escolhidos - A vida como ela é..., J. Ozon Editor, Rio, 1961. Dois volumes.
- Elas gostam de apanhar, "Bloch Editores", Rio, 1974.
- A vida como ela é — O homem fiel e outros contos, "Companhia das Letras", São Paulo, 1992. Seleção: Ruy Castro.
- A dama do lotação e outros contos e crônicas, "Companhia das Letras", São Paulo.
- A coroa de orquídeas, "Companhia das Letras", São Paulo.
Crônicas:
- Memórias de Nelson Rodrigues, "Correio da Manhã" / "Edições Correio da Manhã", Rio, 1967.
- O óbvio ululante, "O Globo" / "Editora Eldorado", Rio, 1968.
- A cabra vadia, "O Globo" / "Editora Eldorado", Rio, 1970.
- O reacionário, "Correio da Manhã" e "O Globo" / "Editora Record", Rio, 1977.
- O óbvio ululante — Primeiras confissões, "Companhia das Letras", São Paulo, 1993. Seleção: Ruy Castro.
- O remador de Ben-Hur - Confissões culturais, "Companhia das Letras", São Paulo.
- A cabra vadia - Novas confissões, "Companhia das Letras", São Paulo.
- O reacionário - Memórias e Confissões, "Companhia das Letras", São Paulo.
- A pátria sem chuteiras - Novas crônicas de futebol, "Companhia das Letras"

MOVIMENTO ARMORIAL

A Arte Armorial Brasileira é aquela que tem como traço comum principal a ligação com o espírito mágico dos "folhetos" do Romanceiro Popular do Nordeste (Literatura de Cordel), com a Música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus "cantares", e com a Xilogravura que ilustra suas capas, assim como com o espírito e a forma das Artes e espetáculos populares com esse mesmo Romanceiro relacionados.

O Movimento Armorial surgiu sob a inspiração e direção de Ariano Suassuna, com a colaboração de um grupo de artistas e escritores da região Nordeste do Brasil e o apoio do Departamento de Extensão Cultural da Pró-Reitoria para Assuntos Comunitários da Universidade Federal de Pernambuco.

Teve início no âmbito universitário, mas ganhou apoio oficial da Prefeitura do Recife e da Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco.

Foi lançado oficialmente, no Recife, no dia 18 de outubro de 1970, com a realização de um concerto e uma exposição de artes plásticas realizados no Pátio de São Pedro, no centro da cidade.
Seu objetivo foi o de valorizar a cultura popular do Nordeste brasileiro, pretendendo realizar uma arte brasileira erudita a partir das raízes populares da cultura do País.

Segundo Suassuna, sendo "armorial" o conjunto de insígnias, brasões, estandartes e bandeiras de um povo, a heráldica é uma arte muito mais popular do que qualquer coisa. Desse modo, o nome adotado significou o desejo de ligação com essas heráldicas raízes culturais brasileiras.
O Movimento tem interesse pela pintura, música, literatura, cerâmica, dança, escultura, tapeçaria, arquitetura, teatro, gravura e cinema.

Uma grande importância é dada aos folhetos do romanceiro popular nordestino, a chamada literatura de cordel, por achar que neles se encontram a fonte de uma arte e uma literatura que expressa as aspirações e o espírito do povo brasileiro, além de reunir três formas de arte: as narrativas de sua poesia, a xilogravura, que ilustra suas capas e a música, através do canto dos seus versos, acompanhada por viola ou rabeca.
São também importantes para o Movimento Armorial, os espetáculos populares do Nordeste, encenados ao ar livre, com personagens míticas, cantos, roupagens principescas feitas a partir de farrapos, músicas, animais misteriosos como o boi e o cavalo-marinho do bumba-meu-boi.
O mamulengo ou teatro de bonecos nordestino também é uma fonte de inspiração para o Movimento, que procura além da dramaturgia, um modo brasileiro de encenação e representação.

Congrega nomes importantes da cultura pernambucana. Além do próprio Ariano Suassuna, Francisco Brennand, Raimundo Carrero, Gilvan Samico, entre outros, além de grupos como o Balé Armorial do Nordeste, a Orquestra Armorial de Câmara, a Orquestra Romançal e o Quinteto Armorial.

JOÃO CABRAL DE MELO NETO

João Cabral de Melo Neto nasceu na cidade de Recife - PE, no dia 09 de janeiro de 1920, na rua da Jaqueira (depois Leonardo Cavalcanti), segundo filho de Luiz Antônio Cabral de Melo e de Carmem Carneiro-Leão Cabral de Melo. Primo, pelo lado paterno, de Manuel Bandeira e, pelo lado materno, de Gilberto Freyre. Passa a infância em engenhos de açúcar. Primeiro no Poço do Aleixo, em São Lourenço da Mata, e depois nos engenhos Pacoval e Dois Irmãos, no município de Moreno.

Em 1930, com a mudança da família para Recife, inicia o curso primário no Colégio Marista. João Cabral era um amante do futebol, tendo sido campeão juvenil pelo Santa Cruz Futebol Clube em 1935.

Em 1940 viaja com a família para o Rio de Janeiro, onde conhece Murilo Mendes. Esse o apresenta a Carlos Drummond de Andrade e ao círculo de intelectuais que se reunia no consultório de Jorge de Lima. No ano seguinte, participa do Congresso de Poesia do Recife, ocasião em que apresenta suas Considerações sobre o poeta dormindo.

1942 marca a publicação de seu primeiro livro, Pedra do Sono. Em novembro viaja, por terra, para o Rio de Janeiro. Convocado para servir à Força Expedicionária Brasileira (FEB), é dispensado por motivo de saúde. Mas permanece no Rio, sendo aprovado em concurso e nomeado Assistente de Seleção do DASP (Departamento de Administração do Serviço Público). Freqüenta, então, os intelectuais que se reuniam no Café Amarelinho e Café Vermelhinho, no Centro do Rio de Janeiro. Publica Os três mal-amados na Revista do Brasil.

O engenheiro é publicado em 1945, em edição custeada por Augusto Frederico Schmidt. Faz concurso para a carreira diplomática, para a qual é nomeado em dezembro. Começa a trabalhar em 1946, no Departamento Cultural do Itamaraty, depois no Departamento Político e, posteriormente, na comissão de Organismos Internacionais. Em fevereiro, casa-se com Stella Maria Barbosa de Oliveira, no Rio de Janeiro. Em dezembro, nasce seu primeiro filho, Rodrigo.
Toma posse na Academia em 06 de maio de 1969, na cadeira número 6, sendo recebido por José Américo de Almeida. A Companhia Paulo Autran encena Morte e vida severina em diversas cidades do Brasil. É removido para a embaixada de Assunção, no Paraguai, como ministro conselheiro. Torna-se membro da Hispania Society of America e recebe a comenda da Ordem de Mérito Pernambucano.

Após três anos em Assunção, é nomeado embaixador em Dacar, no Senegal, cargo que exerce cumulativamente com o de embaixador da Mauritânia, no Mali e na Giné-Conakry.
Em 1974 é agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco. No ano seguinte publica Museu de Tudo, que recebe o Grande Prêmio de Crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte. É agraciado com a Medalha de Humanidades do Nordeste.
Em 1976 é condecorado Grande Oficial da Ordem do Mérito do Senegal e, em 1979, como Grande Oficial da Ordem do Leão do Senegal. É nomeado embaixador em Quito, Equador e publica A escola das facas.

A convite do governador de Pernambuco, vai a Recife (em 1980) para fazer o discurso inaugural da Ordem do Mérito de Guararapes, sendo condecorado com a Grã-Cruz da Ordem. Ali é inaugurada uma exposição bibliográfica de sua obra, no Palácio do Governo de Pernambuco, organizada por Zila Mamede. Recebe a Comenda do Mérito Aeronáutico e a Grã-Cruz do Equador.
No ano seguinte vai para Honduras, como embaixador. Publica a antologia Poesia crítica.
Em 1982 é agraciado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Vai para a cidade do Porto, em Portugal, como cônsul geral. Recebe o Prêmio Golfinho de Ouro do Estado do Rio de Janeiro. Publica Auto do frade, escrito em Tegucigalpa.
Ganha o Prêmio Moinho Recife, em 1984 e, no ano seguinte, publica os poemas de Agrestes. Nesse livro há uma sessão dedicada à morte ("A indesejada das gentes"). Em 1986 é agraciado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Pernambuco. Sua esposa, Stella Maria, falece no Rio de Janeiro. João Cabral reassume o Consulado Geral no Porto. Casa-se em segundas núpcias com a poeta Marly de Oliveira.
Em 1987 publica Crime na Calle Relator, poemas narrativos. Recebe o prêmio da União Brasileira de Escritores. É removido para o Rio de Janeiro.
Em Recife, no ano de 1988, lança sua antologia Poemas pernambucanos. Publica, também, o segundo volume de poesias completas: Museu de tudo e depois. Recebe o Prêmio da Bienal Nestlé de Literatura pelo conjunto da obra, e o Prêmio Lily de Carvalho da ABCL, Rio de Janeiro.

Aposenta-se como embaixador em 1990 e publica Sevilha andando. É eleito para a Academia Pernambucana de Letras, da qual havia recebido, anos antes, a medalha Carneiro Vilela. Recebe os seguintes prêmios: Criadores de Cultura da Prefeitura do Recife, Luis de Camões (concedido conjuntamente pelos governos de Portugal e do Brasil), em Lisboa. É condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Judiciário e do Trabalho. A Faculdade Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro publica Primeiros Poemas.

Outros prêmios: Pedro Nava (1991) pelo livro Sevilha andando; Casa das Américas, concedido pelo Estado de São Paulo (1992); e também nesse ano o Neustadt International Prize for Literature, da Universidade de Oklahoma. Viaja a Sevilha para representar o presidente da República nas comemorações do dia 7 de Setembro, que tiveram lugar na Exposição do IV Centenário da Descoberta da América. No Pavilhão do Brasil, foi distribuída sua antologia Poemas sevilhanos, em edição especial. No Rio de Janeiro, na Casa da Espanha, recebe do embaixador espanhol a Grã-Cruz da Ordem de Isabel, a Católica.
Em 1993 recebe o Prêmio Jabuti, instituído pela Câmara Brasileira do Livro.

João Cabral era atormentado por uma dor de cabeça que não o deixava de forma alguma. Ao saber, anos atrás, que sofria de uma doença degenerativa incurável, que faria sua visão desaparecer aos poucos, o poeta anunciou que ia parar de escrever. Já em 1990, com a finalidade de ajudá-lo a vencer os males físicos e a depressão, Marly, sua segunda esposa, passa a escrever alguns textos tidos como de autoria do biografado. Conforme declarações de amigos, escreveu o discurso de agradecimento feito pelo autor ao receber o Prêmio Luis de Camões, considerado o mais importante prêmio concedido a escritores da língua portuguesa, entre outros. Foi a forma encontrada para tentar tirá-lo do estado depressivo em que se encontrava. Como não admirava a música, o autor foi perdendo também a vontade de falar ("Não tenho muito o que dizer", argumentava). Era, sem dúvida, o nosso mais forte concorrente ao prêmio Nobel, com diversas indicações dos mais variados segmentos de nossa sociedade.

Transcrevemos abaixo o discurso proferido por Arnaldo Niskier, presidente da Academia Brasileira de Letras, por ocasião da morte do poeta, em 09/10/99:

"Adeus a João Cabral"

"Severino retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida;
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga;
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, Severina;
mas se responder não pude
à pergunta que fazia
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva."

Vida que foi para João Cabral uma bonita e ao mesmo tempo sofrida obra de engenharia poética, como demonstrou no seu inesquecível Morte e Vida Severina.
Aqui está o poeta João Cabral de Melo Neto, presente pela última vez na Academia Brasileira de Letras, de que foi, por 30 anos, uma das figuras fundamentais. Aos 79 anos, apaga-se a voz de significação universal, com a singularidade do seu verso, tantas vezes lembrado para a glória do Prêmio Nobel de Literatura.
A nossa dor, que é também a da sua companheira Marly de Oliveira e dos seus filhos e demais parentes, não apaga da nossa memória a convicção de que foi ele um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos - o poeta da razão - que jamais esqueceu, mesmo nos 40 anos de vida diplomática, as suas raízes pernambucanas. O homem que soube desenhar em versos cálidos a saga do retirante nordestino, quando ainda não havia passado dos 35 anos de idade.
João Cabral, o poeta João, que não se conformava em perfumar a flor, é o mesmo que escreveu aos 22 anos o livro Pedra do Sono, para depois nos brindar, entre outros, com O engenheiro, O cão sem plumas, Poesias completas, A educação pela pedra e o antológico Morte e Vida Severina, com versões no teatro e na mídia eletrônica.
Fecham-se os olhos cansados do poeta João e não conseguimos realizar o sonho que agora desvendo: ver o América Futebol Clube voltar aos seus dias de glória. Nem o daqui do Rio, nem aquele que era a sua verdadeira paixão: o América do Recife.

ASCENSO FERREIRA

Hora de comer — comer!
Hora de domir - dormir !
Hora de vadiar - vadiar !
Hora de trabalhar ?
- Pernas pro ar que ninguém é de ferro !



Poeta pernambucano, Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira nasceu na cidade de Palmares no ano de 1895. Dizem que começou a atividade literária enganado, compondo sonetos, baladas e madrigais. Depois da "Semana de Arte Moderna" e sob a influência de Guilherme de Almeida, Manuel Bandeira e de Mário de Andrade, tomou rumos novos e achou um caminho que o conduziria a uma situação de relevo nas letras pernambucanas e nacionais. Voltou-se para os temas regionais de sua terra que foram reunidos em seus livros "Catimbó" (1927), "Cana caiana" (1939), "Poemas 1922-1951" (1951), "Poemas 1922-1953" (1953), "Catimbó e outros poemas" (1963), "Poemas" (1981) e "Eu voltarei ao sol da primavera" (1985). Foram publicados postumamente, em 1986, "O Maracatu", "Presépios e Pastoris" e "O Bumba-Meu-Boi: Ensaios Folclóricos", em livro organizado por Roberto Benjamin. Distingue-se não pela quantidade, mas pela qualidade, atingindo não raro efeitos novos, originais, imprevistos, em matéria de humorismo e sátira. O poeta faleceu na cidade do Recife (PE), em 1965.

ANTONIO MARIA

"Às vezes, me sinto muito só. Sem ontem e sem amanhã. Não adianta que haja pessoas em volta de mim. Mesmo as mais queridas. Só se está só ou acompanhado, dentro de si mesmo. Estou muito só hoje. Duas ou três lembranças que me fizeram companhia, desde segunda-feira, eu já gastei. Não creio que, amanhã, aconteça alguma coisa de melhor."
(O diário de Antônio Maria)

Antônio Maria Araújo de Morais nasceu no Recife, em 17 de março de 1921 e faleceu em 15 deoutubro de 1964. Filho de Inocêncio Ferreira de Morais e Diva Araújo de Morais. Junto com os irmãos Rodolfo, Maria das Dores, Consuelo, e inúmeros primos, teve uma infância feliz, conforme se depreende de suas crônicas sobre os bons momentos desfrutados, nessa época, em sua terra natal. Nelas nos conta sobre a mãe carinhosa, os tempos de colégio, as aulas de música, as lições de francês, os mergulhos no rio e os "banhos salgados", as férias na usina Cachoeira Lisa, deixada por seu avô materno, Rodolfo Araújo.
Já mocinho, nos fala de suas aventuras: "Quando eu fiz quinze anos, ganhei um relógio de pulso e 5 mil réis. Olhei os ponteiros, vi que era hora de fazer uma besteira e entrei num botequim. Estávamos veraneando em Boa Viagem e, quando era de tardinha, o pessoal da minha idade vinha, de banho tomado e roupa limpa, inventar mentira sobre as moças — namoros, bolinagens veladas, agrados sinistros, tudo mentira, tudo imaginação. No dia dos meus anos, em vez de conversar essas coisas, compramos uma garrafa de Bagaceira Pingo de Uva e eu, sozinho, para ganhar uma aposta de dois mil réis, bebi toda. Anoiteceu, me deixaram na praia, a maré cresceu e me levou. Quem deu por mim foi um negro chamado Paulo, que tinha ido molhar os pés na franja da onda. Não sabia onde eu morava, nem o nome de minha mãe. Saiu, andando comigo no ombro, perguntando a todo mundo e, aos poucos, mais de cem pessoas acompanhavam o menino bêbedo, desacordado, que o mar ia levando. Quando acordei eram três da madrugada e minhas irmãs choravam ao pé da minha cama. Quando compreendi a gravidade daquele momento, comecei a chorar também — choramos em coro, cinco pessoas, até seis horas, sem dizer uma palavra, quando dormimos abraçados, com pecado e o sofrimento lavados pelas nossas lágrimas quentes."
Seu primeiro emprego, aos 17 anos, foi o de apresentador de programas musicais na Rádio Clube Pernambuco. Vencido o primeiro degrau, no ano de 1940, mês de março, vem para o Rio a bordo do Ita "Almirante Jaceguai", "com quatro roupas novas e cinco contos no bolso", para ser locutor esportivo na Rádio Ipanema. A cidade tinha 1.764.411 habitantes. Quase todos cantavam que o passarinho do relógio está maluco, achavam que a Elvira Pagã era uma uva e fingiam não ver , no prédio moderninho do Ministério da Educação e Cultura (MEC) que Carlos Drummond de Andrade e Sérgio Buarque de Holanda (pai do Chico) bancavam os antigos e se estapeavam, óculos quebrados, por causa de um xodó comum. Foi direto do Ita para o apartamento 1.005 do edifício Souza, na Cinelândia, onde passou a morar ao lado de Fernando Lobo e Abelardo Barbosa, o futuro rei dos auditórios Chacrinha, também pernambucanos. Também vivia por lá Dorival Caymmi e o pintor Augusto Rodrigues. Ficou pouco tempo por aqui — 10 meses — sem ser notado. Passou fome, foi humilhado e preso. Retornou ao Recife e se casou, em maio de 1944, com Maria Gonçalves Ferreira.
Graças ao dinheiro que o governo Getúlio Vargas despejou em troca de apoio político, no fim de 1952 a rádio Mayrink Veiga partiu para o ataque contra a Tupi e passou a contratar seus grandes nomes. Antônio Maria foi um dos primeiros contratados, por 50 mil cruzeiros, o mais alto salário do rádio no Brasil. Logo comprou seu primeiro Cadillac, símbolo de status entre os reis do rádio naquela época. Na televisão era famoso o programa "Preto no Branco", de Oswaldo Sargentelli, onde sempre aparecia uma "pergunta de Antônio Maria, da produção do programa", geralmente muito embaraçosa. Fez, com Ary Barroso, durante todo o ano de 1957, um programa de sucesso: "Rio, Eu Gosto de Você", na TV Rio. Maria gostava de alfinetar os entrevistados. Um dia perguntou a Sandra Cavalcanti, candidata a deputada: "Quer dizer, dona Sandra, que a senhora é mal-amada?" A resposta de Sandra, dizem os espectadores da cena, assegurou-lhe a eleição. — Posso até ser, senhor Maria, mas não fui eu que fiz aquela música Ninguém me ama.Com Paulo Soledade, assinou alguns shows na boate Casablanca e, em 1953, chegou a subir toda noite ao palco do Night and Day, no Edifício Serrador, localizado no centro do Rio, para apresentar "A Mulher é o Diabo", revista de Ary Barroso. Era um homem de 7 instrumentos, como se dizia.
Mesmo sendo uma pessoa extrovertida e de muitos amigos (e inimigos), Maria, como era chamado por eles, sempre teve a solidão dentro de si. Um exemplo está em sua crônica "Oração", escrita em 30-03-1954: "Rosinha Desossée, me tire desse quarto de hotel e de todas as coisas que entram pela janela; me leve para longe das palmeiras, mais longe e perto das coisas mais macias; me faça esquecer (depressa) os homens ruins — isto é: os que gostam de cebola crua; me ensine, Rosinha Desossée, tudo o que eu não aprendi: a cortar com a mão direita, a usar anel, a tocar piano, a desenhar uma árvore e valsar; e me lembre do que eu esqueci — raiz quadrada, (as mais ordinárias), frações, latim, geofísica e "Navio Negreiro", de Castro Alves; depois, me dê, pelo bem dos seus filhinhos, aquilo que eu não tenho há quase um ano, carinho — de um jeito que eu não sei dizer como é, mas que há, por aí ou, pelo menos, já houve; destelhe a casa, deixe a noite entrar e, juntos, vamos nos resfriar; espirre de lá, que eu espirro de cá... agora, cada um com a sua bombinha, inalação, inalação; lado a lado, sentemos, os dois de perfil para o ventilador; minhas mãos e as suas não são de ninguém, entendido?; se interesse por mim e pergunte o que eu sei, que eu quero exclamar, no mais puro francês: "oh!"..."comment allez vous"? (...) de um jeito ou de outro, me tire daqui, pra Pérsia, Sibéria, pro Clube da Chave, pra Marte, Inglaterra, sem couvert, sem couvert; está vendo o retrato dos meus 20 anos? de lá para cá, cansaço, pé chato, gordura, calvície fizeram de mim essa coisa ansiosa, insegura e com sono, que pede a você, no auge do manso: você, Desossée, não saia esta noite e fique, ao meu lado, esperando que o sono me tome e me mate, me salve e me leve, por amor ao teu andar, assim seja..."
Cronista, locutor esportivo, produtor de rádio, compositor de jingles, é dele essa pequena jóia literária, interpretada por Dircinha Batista, para o remédio Aurissedina:
"Se a criança acordouDoooooorme, doooooorme filhinhaTudo calmo ficouMamãe tem Aurissedina"
Livros:
- O Jornal de Antônio Maria - Editora Saga/1968 - seleção de Ivan Lessa.- Com vocês, Antônio Maria - Editora Paz e Terra/1994 - seleção de Alexandra Bertola.- Benditas sejam as moças: As crônicas de Antônio Maria - Editora Civilização Brasileira/2002 - organização Joaquim Ferreira dos Santos.- O diário de Antônio Maria - Editora Civilização Brasileira/2002 - Joaquim Ferreira dos Santos (apresentação).
Sobre o autor:
- Antônio Maria: noites de Copacabana - Editora Relume-Dumará/1996 - Joaquim Ferreira dos Santos - Coleção "Perfis do Rio".Teatro:- Brasileiro, Profissão: Esperança, musical com Clara Nunes e Paulo Gracindo, textos de Paulo Fontes e direção de Bibi Ferreira.- A noite é uma criança; musical que tem o roteiro e a atuação de Marcos França, acompanhado de Claudia Ventura e Alexandre Dantas Teatro Maria Clara Machado (Planetário), Rio de Janeiro - 2004.Discos:- Brasileiro, Profissão: Esperança, gravação ao vivo do musical de mesmo nome, com Paulo Gracindo e Clara Nunes, I. E. M. Fábricas Odeon S.A., 1974.

domingo, 13 de abril de 2008

MAURO MOTA

Mauro Ramos da Mota e Albuquerque nasceu no Recife, a 16 de agosto de 1911, filho de José Feliciano Mota Albuquerque, advogado, e Aline de M. Albuquerque. Era casado com Marly Mota, com quem teve 4 filhos: Maurício Mota, Eduardo Mota, Sérgio Mota e Tereza Alexandrina Mota. Com Hermantine Cortez, sua primeira esposa, teve 2 filhos: Roberto Mota e Luciana Mota. Passou a infância em Nazaré da Mata, Pernambuco, zona açucareira, onde fez parte do curso primario. Em 1924, voltou para o Recife, hospedando-se na casa do avó. Matriculado no ginásio do Recife, dois anos depois passou para o colégio Salesiano, cultivando amizade com Álvaro Lins. No Colégio, o padre Nestor de Alencar ensinou-o a fazer versos e publicou os primeiros trabalhos em "0 Colegial", jornal dirigido pelo religioso.
Em 1928, voltou ao Ginásio do Recife, para fazer os preparatórios, com Alvaro Lins. No Ginásio, encontrou os irmãos Condé, José e João. Os três se iniciaram no jornalismo, escrevendo em "A pilhéria" e na "Revista da Cidade". Pertenceu, durante algum tempo, ao Silogeu Pernambucano de Letras e, posteriormente, ingressou na Academia Recifense de Letras. Em 1937, bacharelou-se Dela Faculdade de Direito do Recife. Formado, continuou no jornalismo. Trabalhou no antigo "Diário da Manhã", e chegou a ser Secretário e redator-chefe.
Em 1941, entrou para o magistério e para o "Diário de Pernambuco", exercendo a direção do jornal a partir de 1956. Como secretário, em 1948, reformou o suplemento do jornal Mais antigo da América Latina, abrindo-o aos novos valores do Nordeste e iniciando a secção de meia página, até hoje mantida, de comentários e informações sobre livros e autores.
Em 1928, voltou ao Ginásio do Recife, para fazer os preparatórios, com Alvaro Lins. No Ginásio, encontrou os irmãos Condé, José e João. Os três se iniciaram no jornalismo, escrevendo em "A pilhéria" e na "Revista da Cidade". Pertenceu, durante algum tempo, ao Silogeu Pernambucano de Letras e, posteriormente, ingressou na Academia Recifense de Letras. Em 1937, bacharelou-se Dela Faculdade de Direito do Recife. Formado, continuou no jornalismo. Trabalhou no antigo "Diário da Manhã", e chegou a ser Secretário e redator-chefe.
Em 1941, entrou para o magistério e para o "Diário de Pernambuco", exercendo a direção do jornal a partir de 1956. Como secretário, em 1948, reformou o suplemento do jornal Mais antigo da América Latina, abrindo-o aos novos valores do Nordeste e iniciando a secção de meia página, até hoje mantida, de comentários e informações sobre livros e autores.
No ano de 1952, publicou alguns poemas reunidos no volume "Elegias", editado pelo "Jornal de Letras". Prefaciado por Álvaro Lins, o livro recebeu prêmios da Academia Brasileira Letra de Letras e da Academia Pernambucana de Letras. Publicou outras obras, entre as quais: "A Tecelã"(poemas), 1957; "Os Epitáfios" (poemas), 1959; "0 Galo e o Cata-Vento" (versos), 1962; consolidando cada vez mais, sua posição de poeta. Em 1955, tornou-se catedrático, por concurso, de Geografia do Brasil, no Instituto de educação de Pernambuco. Apresentou a tese "0 Cajueiro Nordestino". Em 15 de março de 1556 foi nomeado pelo Presidente da República Juscelino Kubitschek para o cargo de Diretor a Executivo do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, órgão do Ministério da Educação e Cultura, permanecendo até 1970.
Ocupou também o cargo de Diretor do Departamento de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura de Pernambuco e de Diretor do Arquivo Público Estadual de Pernambuco. Em 05 de janeiro de 1970 é eleito para a Academia Brasileira de Letras, na vaga de Gilberto Amado, tomando posse a 28 de agosto de 1970. Foi membro do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco e da Academia Pernambucana de Letras e sócio correspondente, em Pernambuco, das Academias de Letras Paulista, mineira, paraibana e alagoana. Recebeu inúmeras honrarias, entre as quais: Medalha Pernambucana do Mérito (1963), Comenda da Fundação Cultural Manuel Bandeira (Campina Grande-PB,1971), Medalha Joaquim Nabuco, da Assembléia Legislativa dó Estado de Pernambuco. Faleceu, no Recife, a 22 de novembro de 1984.

BIOGRAFIA DE MACHADO DE ASSIS



(...) Assim são as páginas da vida, como dizia meu filho quando fazia versos, e acrescentava que as páginas vão passando umas sobre as outras, esquecidas apenas lidas.

Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Filho de um operário mestiço de negro e português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis, aquele que viria a tornar-se o maior escritor do país e um mestre da língua, perde a mãe muito cedo e é criado pela madrasta, Maria Inês, também mulata, que se dedica ao menino e o matricula na escola pública, única que freqüentará o autodidata Machado de Assis.
De saúde frágil, epilético, gago, sabe-se pouco de sua infância e início da juventude. Criado no morro do Livramento, consta que ajudava a missa na igreja da Lampadosa. Com a morte do pai, em 1851, Maria Inês, à época morando em São Cristóvão, emprega-se como doceira num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor de doces. No colégio tem contato com professores e alunos e é até provável que assistisse às aulas nas ocasiões em que não estava trabalhando.
Mesmo sem ter acesso a cursos regulares, empenhou-se em aprender. Consta que, em São Cristóvão, conheceu uma senhora francesa, proprietária de uma padaria, cujo forneiro lhe deu as primeiras lições de Francês. Contava, também, com a proteção da madrinha D. Maria José de Mendonça Barroso, viúva do Brigadeiro e Senador do Império Bento Barroso Pereira, proprietária da Quinta do Livramento, onde foram agregados seus pais
Aos 16 anos, publica em 12-01-1855 seu primeiro trabalho literário, o poema "Ela", na revista Marmota Fluminense, de Francisco de Paula Brito. A Livraria Paula Brito acolhia novos talentos da época, tendo publicado o citado poema e feito de Machado de Assis seu colaborador efetivo.
Começa a publicar obras românticas e, em 1859, era revisor e colaborava com o jornal Correio Mercantil. Em 1860, a convite de Quintino Bocaiúva, passa a fazer parte da redação do jornal Diário do Rio de Janeiro. Além desse, escrevia também para a revista O Espelho (como crítico teatral, inicialmente), A Semana Ilustrada(onde, além do nome, usava o pseudônimo de Dr. Semana) e Jornal das Famílias.
Seu primeiro livro foi impresso em 1861, com o título Queda que as mulheres têm para os tolos, onde aparece como tradutor. No ano de 1862 era censor teatral, cargo que não rendia qualquer remuneração, mas o possibilitava a ter acesso livre aos teatros. Nessa época, passa a colaborar em O Futuro, órgão sob a direção do irmão de sua futura esposa, Faustino Xavier de Novais. Publica seu primeiro livro de poesias em 1864, sob o título de Crisálidas. Seu primeiro romance, Ressurreição, foi publicado em 1872. Com a nomeação para o cargo de primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, estabiliza-se na carreira burocrática que seria o seu principal meio de subsistência durante toda sua vida.
Sua primeira peça teatral é encenada no Imperial Teatro Dom Pedro II em junho de 1880, escrita especialmente para a comemoração do tricentenário de Camões, em festividades programadas pelo Real Gabinete Português de Leitura.
Publica, em 1881, um livro extremamente original , pouco convencional para o estilo da época: Memórias Póstumas de Brás Cubas -- que foi considerado, juntamente com O Mulato, de Aluísio de Azevedo, o marco do realismo na literatura brasileira.

Grande amigo do escritor paraense José Veríssimo, que dirigia a Revista Brasileira, em sua redação promoviam reuniões os intelectuais que se identificaram com a idéia de Lúcio de Mendonça de criar uma Academia Brasileira de Letras. Machado desde o princípio apoiou a idéia e compareceu às reuniões preparatórias e, no dia 28 de janeiro de 1897, quando se instalou a Academia, foi eleito presidente da instituição, cargo que ocupou até sua morte, ocorrida no Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1908. Sua oração fúnebre foi proferida pelo acadêmico Rui Barbosa.

É o fundador da cadeira nº. 23, e escolheu o nome de José de Alencar, seu grande amigo, para ser seu patrono.
Por sua importância, a Academia Brasileira de Letras passou a ser chamada de Casa de Machado de Assis.
Dizem os críticos que Machado era "urbano, aristocrata, cosmopolita, reservado e cínico, ignorou questões sociais como a independência do Brasil e a abolição da escravatura. Passou ao longe do nacionalismo, tendo ambientado suas histórias sempre no Rio, como se não houvesse outro lugar. ... A galeria de tipos e personagens que criou revela o autor como um mestre da observação psicológica. ... Sua obra divide-se em duas fases, uma romântica e outra parnasiano-realista, quando desenvolveu inconfundível estilo desiludido, sarcástico e amargo. O domínio da linguagem é sutil e o estilo é preciso, reticente. O humor pessimista e a complexidade do pensamento, além da desconfiança na razão (no seu sentido cartesiano e iluminista), fazem com que se afaste de seus contemporâneos."