domingo, 13 de abril de 2008

BIOGRAFIA DE MACHADO DE ASSIS



(...) Assim são as páginas da vida, como dizia meu filho quando fazia versos, e acrescentava que as páginas vão passando umas sobre as outras, esquecidas apenas lidas.

Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Filho de um operário mestiço de negro e português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis, aquele que viria a tornar-se o maior escritor do país e um mestre da língua, perde a mãe muito cedo e é criado pela madrasta, Maria Inês, também mulata, que se dedica ao menino e o matricula na escola pública, única que freqüentará o autodidata Machado de Assis.
De saúde frágil, epilético, gago, sabe-se pouco de sua infância e início da juventude. Criado no morro do Livramento, consta que ajudava a missa na igreja da Lampadosa. Com a morte do pai, em 1851, Maria Inês, à época morando em São Cristóvão, emprega-se como doceira num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor de doces. No colégio tem contato com professores e alunos e é até provável que assistisse às aulas nas ocasiões em que não estava trabalhando.
Mesmo sem ter acesso a cursos regulares, empenhou-se em aprender. Consta que, em São Cristóvão, conheceu uma senhora francesa, proprietária de uma padaria, cujo forneiro lhe deu as primeiras lições de Francês. Contava, também, com a proteção da madrinha D. Maria José de Mendonça Barroso, viúva do Brigadeiro e Senador do Império Bento Barroso Pereira, proprietária da Quinta do Livramento, onde foram agregados seus pais
Aos 16 anos, publica em 12-01-1855 seu primeiro trabalho literário, o poema "Ela", na revista Marmota Fluminense, de Francisco de Paula Brito. A Livraria Paula Brito acolhia novos talentos da época, tendo publicado o citado poema e feito de Machado de Assis seu colaborador efetivo.
Começa a publicar obras românticas e, em 1859, era revisor e colaborava com o jornal Correio Mercantil. Em 1860, a convite de Quintino Bocaiúva, passa a fazer parte da redação do jornal Diário do Rio de Janeiro. Além desse, escrevia também para a revista O Espelho (como crítico teatral, inicialmente), A Semana Ilustrada(onde, além do nome, usava o pseudônimo de Dr. Semana) e Jornal das Famílias.
Seu primeiro livro foi impresso em 1861, com o título Queda que as mulheres têm para os tolos, onde aparece como tradutor. No ano de 1862 era censor teatral, cargo que não rendia qualquer remuneração, mas o possibilitava a ter acesso livre aos teatros. Nessa época, passa a colaborar em O Futuro, órgão sob a direção do irmão de sua futura esposa, Faustino Xavier de Novais. Publica seu primeiro livro de poesias em 1864, sob o título de Crisálidas. Seu primeiro romance, Ressurreição, foi publicado em 1872. Com a nomeação para o cargo de primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, estabiliza-se na carreira burocrática que seria o seu principal meio de subsistência durante toda sua vida.
Sua primeira peça teatral é encenada no Imperial Teatro Dom Pedro II em junho de 1880, escrita especialmente para a comemoração do tricentenário de Camões, em festividades programadas pelo Real Gabinete Português de Leitura.
Publica, em 1881, um livro extremamente original , pouco convencional para o estilo da época: Memórias Póstumas de Brás Cubas -- que foi considerado, juntamente com O Mulato, de Aluísio de Azevedo, o marco do realismo na literatura brasileira.

Grande amigo do escritor paraense José Veríssimo, que dirigia a Revista Brasileira, em sua redação promoviam reuniões os intelectuais que se identificaram com a idéia de Lúcio de Mendonça de criar uma Academia Brasileira de Letras. Machado desde o princípio apoiou a idéia e compareceu às reuniões preparatórias e, no dia 28 de janeiro de 1897, quando se instalou a Academia, foi eleito presidente da instituição, cargo que ocupou até sua morte, ocorrida no Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1908. Sua oração fúnebre foi proferida pelo acadêmico Rui Barbosa.

É o fundador da cadeira nº. 23, e escolheu o nome de José de Alencar, seu grande amigo, para ser seu patrono.
Por sua importância, a Academia Brasileira de Letras passou a ser chamada de Casa de Machado de Assis.
Dizem os críticos que Machado era "urbano, aristocrata, cosmopolita, reservado e cínico, ignorou questões sociais como a independência do Brasil e a abolição da escravatura. Passou ao longe do nacionalismo, tendo ambientado suas histórias sempre no Rio, como se não houvesse outro lugar. ... A galeria de tipos e personagens que criou revela o autor como um mestre da observação psicológica. ... Sua obra divide-se em duas fases, uma romântica e outra parnasiano-realista, quando desenvolveu inconfundível estilo desiludido, sarcástico e amargo. O domínio da linguagem é sutil e o estilo é preciso, reticente. O humor pessimista e a complexidade do pensamento, além da desconfiança na razão (no seu sentido cartesiano e iluminista), fazem com que se afaste de seus contemporâneos."

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

LITERATURA DE CORDEL

A literatura de cordel é um tipo de poesia popular, originalmente oral, e depois impressa em folhetos rústicos expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome. São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola.

HISTÓRIA

A história da literatura de cordel começa com o romanceiro luso-espanhol da Idade Média e do Renascimento. O nome cordel está ligado à forma de comercialização desses folhetos em Portugal, onde são pendurados em cordões, lá chamados de cordéis. Inicialmente, eles também contém peças de teatro, como as de autoria de Gil Vicente (1465-1536).Foram os portugueses que trouxeram o cordel para o Brasil, na segunda metade do século XIX. Hoje muitos folhetos ficam expostos horizontalmente em balcões ou tabuleiros. Embora seja pouco freqüente, também há criações de cordel em prosa. Esse tipo de literatura popular existe também na Sicilia (Itália), na Espanha, no México e em Portugal. Na Espanha é chamada de pliego de cordel ou pliegos sueltos (folhas soltas).E esse ano de 2007 comemora-se os 100 anos da existencia da literatura de Cordel.
Os temas incluem fatos do cotidiano, episódios históricos, lendas e temas religiosos. As façanhas do cangaceiro Lampião (Virgulino Ferreira da Silva, 1900-1938) e o suicídio do presidente Getúlio Vargas (1883-1954) são alguns dos assuntos de cordéis de maior tiragem. É comum os autores criarem seus versos improvisadamente diante de um acontecimento ou uma pessoa que queiram homenagear. As formas variaram pouco ao longo do tempo.
No Brasil, a literatura de cordel é produção típica do Nordeste, sobretudo nos estados de Pernambuco, da Paraíba, Rio Grande do Norte e do Ceará. Costuma ser vendida em mercados e feiras pelos próprios autores. Em outros Estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, é encontrada em feiras de produtos nordestinos. Nos grandes centros, já há impressões mais sofisticadas. Mas de modo geral a produção está em declínio.
Os poetas Leandro Gomes de Barros (1865-1918) e João Martins de Athayde (1880-1959) estão entre os principais autores.
Pelo fato de ser literatura distribuída nas ruas, feiras e botequins, pelo tipo de literatura a que se dedica (essencialmente poesia popular, mas também romances sentimentais) e pelo tipo de linguagem em que circula (bastante simples, com os traços da fala coloquial, e próxima do modo de falar do povo do sertão), a literatura de cordel foi, durante muito tempo, pouco apreciada. Todavia, este tipo de literatura apresenta vários aspectos interessantes e dignos de destaque:

1 - As suas gravuras, chamadas XILOGRAVURAS, representam um importante espólio do imaginário popular;
2 -Pelo fato de funcionarem como divulgadoras da arte do cotidiano, das tradições populares e dos autores locais, a literatura de cordel é de inestimável importância na manutenção das identidades locais e das tradições literárias, contribuindo para a manutenção do folclore nacional;
3 - Pelo fato de poderem ser lidas em em sessões públicas e de atingirem um número elevado de exemplares distribuídos, ajudam na disseminação de hábitos de leitura e lutam contra o analfabetismo;

4 -A tipologia de assuntos que cobrem, crítica social e política e textos de opinião, elevam a literatura de cordel ao estandarte de obras de teor didático e educativo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O sonho

O Sonho
Autor: Gil Morais

Tive um sonho.
e nesse sonho, eu tive
a sensação de ver um edifício
com três portas;
E, por cima de cada uma delas
uma janela,
e em cada janela
havia um jarro
e, em cada jarro
uma flor...
A porta central era estreita
sem pintura, sem excessos, digamos séria e discreta;
e na janela,
num vaso de Alabastro
a flor era uma acácia...
A porta da direita era larga
e pintada com uma cor indelével
de muitas matrizes,valores,
e na janela,
num jarrro de porcelana chinesa,
uma rosa perfeita...
A porta da esqueda,também larga
era pintada de btanco angelical,
de longe,visível;
Um branco puro e feliz;
e na janela,
num jarro de cristal finissimamente acabado,
trazido quem sabe da Boêmia,
uma misteriosa flor de liz...
Sentei-me numa pedra,
a um tiro de flecha, do prédio surgido no sonho
imaginando o significado
de tudo aquilo que ia com os olhos da alma,
sem nada entender...
Foi quando surgiu na minha frente
um ancião de dias, de porte imperial,
que me disse, sorrindo um riso sem maldades,
estendendo-me as mãos dinas mas fortes,
dando a idéia de porder, força e sabedoria:
Filho de homem, abre os os teus olhos da alma
e escuta com atenção!
O que vistes em sonho, deve ser realidade!
A flor do meio que é a acácia,
representa a eternidade, a luz e a esperança!
A rosa representa a paz, o amor
é o verdadeiro simbolo da mãe do mestre sabes quem é!
A flor de liz representa
a justiça e a fraternidade no universo
e entre os homens de verdade
através dos tempos e das eras!

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Zé Limeira

Zé Limeira foi o cordelista/repentista mais mitológico do Brasil. Era conhecido como "Poeta do Absurdo". Nasceu no sitio Tauá no ano de 1886 e faleceu no ano de 1954. A cidade onde nasceu , Teixeira, Paraíba, foi o principal reduto de repentistas no século XIX.
Os temas que abordava em suas poesias e repentes eram variados e chegavam, muitas vezes, ao delírio. Pornografia era um tema recorrente, mas Zé Limeira ficou conhecido como "Poeta do Absurdo" por suas distorções históricas, poesias recheadas de surrealismo e nonsense e por neologismos (invenção de palavras) esdrúxulos que criava.
Vestia-se de forma berrante, com enormes óculos escuros e anéis em todos os dedos e saía pelos caminhos de sua vida, cantando e versando.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

O feirante e a Feira

Autora : Dulce Ramos.



É madrugada escura, silenciosa e fria
Vento forte e o sol ainda dormindo, esperando o dia acordar
O feirante já busca o pão de cada dia
Com saudade da noite, mas na esperança de logo cedo ganhar

No começo da manhã, o sol, a chuva, não importa
Carroça, carro, caminhão indo e vindo a parar
Ânsia de vender bravo feirante é o que conforta
Os que passam olham, pensando em comprar

No meio das ruas carrinhos sonoros são ouvidos
Barracas de tetos azuis, amarelos vão surgindo
Debaixo delas com olhos mal dormidos
Este trabalhador da feira, tudo assumindo

O sol, indiferente, no horizonte saindo
Lá vão os feirantes. Seus sacos abrindo
Dentro deles tem de tudo, ate melodias
Para sentir a vida ouvem Gonzaga e Ângela Maria

Ali, os seus produtos numa arrumação sem igual
Queijo, bolo, bolacha até “mata-fome”
Cocadas, doces e balas que não fazem mal
Feira de tudo para vender e assim, salvar o homem

Cigarros “desleais” e a corda de fumo natural
Carrinhos que andam, brinquedo funcional
Tudo ajeitado, para o cliente chamar a atenção
Valorizando seu espaço e sua dedicação

Férias existentes no mundo inteiro
Essas que ali estão de dia e à noite
Aquelas que começaram de noite até o dia
Mil roupas atendendo a quem chegar primeiro

Telas de artes que traduzem tons e emoção
Embelezam as ruas nestes dias de tanta ação
Folhas, Flores e todos vegetais para alimentação
Cama, mesa, panela, bijuterias, mais de 1 milhão

Caixas, caixotes e caixões
Cheios de tudo e ate de ilusão
O homem separa e expõe, e o tempo passando
Com a esperança do outro dia sempre voltando

O feirante cansado, mais sempre animado
Aqueles que de consumo são amantes
Vendendo as decepções de um sacrifício determinado
Vai, volta, fica, mostra, grita e a fé constante.

OBS: O poema completo pode ser encontrado na Academia.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007