O diplomata e escritor Geraldo Holanda Cavalcanti, de 81 anos, é o novo ocupante da Cadeira 29 da Academia Brasileira de Letras (ABL). A eleição secreta foi realizada na tarde desta quarta-feira (2), na sede da instituição, no Centro do Rio. Cavalcanti sucede o bibliófilo José Mindlin, que morreu em São Paulo no dia 28 de fevereiro deste ano.
Concorriam à vaga o advogado, escritor e Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Eros Grau; o compositor e escritor Martinho da Vila; e o escritor, ensaísta e atual presidente da Biblioteca Nacional, Muniz Sodré.
A novo acadêmico recebeu 20 dos 39 votos possíveis. Em segundo ficou o candidato Eros Grau, com 10, seguido de Muniz Sodré, com 8. Um voto foi em branco e Martinho da Vila não foi votado.
"É um momento importante e comovente na minha vida. Sinto-me recompensado por meu trabalho literário, que desenvolvo há muitos anos. Ser membro da ABL é realmente uma grande satisfação. Mas também sei que, por ser uma instituição que promove várias atividades, vai me exigir muita dedicação", declarou o escritor, agora imortal, acrescentando que mantinha algum otimismo com relação ao resultado da votação.
"É muito difícil fazer qualquer tipo de previsão, pois o voto é secreto. Ao mesmo tempo, tenho muitos amigos por lá, conheço boa parte dos membros e sei de suas preferências. Por isso, tinha uma boa expectativa", revelou .
Diplomata e poeta
Nascido em 6 de fevereiro de 1929, o pernambucano graduou-se Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Recife, em 1951. Diplomata por mais de quatro décadas, profissão a que dedicou a maior parte de seu tempo, serviu em Genebra, Washington, Moscou e Bonn, entre outras grandes cidades.
Seu pontapé inicial da literatura foi em 1964, com o livro de poesias "O Mandiocal de verdes mãos". Em 1998 foi publicada "Poesia reunida", coletânea de textos, entre inéditos e já divulgados, pelo qual conquistou o prêmio Fernando Pessoa, da União Brasileira de Escritores (UBE).
Em 2007 lançou seu primeiro livro de ficção "Encontro em Ouro Preto" (Record), obra finalista do Prêmio Jabuti 2008 na categoria "Melhor Livro de Contos e Crônicas". Este ano, pela mesma editora, publicou o livro de memórias "As desventuras da graça".
A Cadeira 29 foi fundada por Artur Azevedo, que escolheu como patrono Martins Pena, e ocupada posteriormente por Vicente de Carvalho, Cláudio de Souza e Josué Montello.
ANTÔNIO ALBINO PINHEIRO MARINHO
( 1932 - 2007)
O poeta e jornalista Antônio Albino Pinheiro Marinho nasceu em maio de 1932, na cidade de Belo Jardim (PE). Iniciou-se no jornalismo em 1951, no Recife e nessa época já freqüentava grêmios e associações ligadas às letras e ensaiava criações literárias de vários gêneros. Em 1958 transferiu-se para São Paulo, a convite do jornal Última Hora, do qual foi, sucessivamente, redator, secretário gráfico, secretário de redação e editor, atuando tanto na primeira quanto na segunda edições. Simultaneamente atuou como redator free-lancer em diversas agências de publicidade, entre as quais a Interamericana e a Marcos Pereira Publicidade e atuou como secretário de redação do combativo semanário Brasil Urgente, desde sua fundação até seu fechamento em 1964.
A partir do início da década de 60, começou a criar letras de música, tendo diversos parceiros, principalmente sua mulher, Osinete Marinho, compositora de talento. Após 64, ficou ainda por algum tempo na Última Hora, tendo-se refugiado, depois, na publicidade, como redator da MPM Propaganda. Posteriormente, foi chefe de promoção e propaganda da Edobrás - Editora Documentação e Cultura. Voltou ao jornalismo em 1969 (exercendo a secretaria de redação da revista Banas), e participou, simultaneamente, de equipes de produção de programas de variedades da antiga TV Tupi. Em 73, assumiu a editoria geral do DCI - Diário do Comércio e Indústria, tendo comandado a reforma gráfica e editorial do jornal naquele ano.
Em 75, estava na chefia de reportagem da sucursal paulista de O Globo, onde ficou até setembro de 79, quando foi para a Unipress Assessoria de Imprensa e Divulgação como chefe de redação e, depois, no mesmo cargo, para a Unipress Editorial (do mesmo grupo), editando e/ou supervisionando a edição de vários jornais e revistas institucionais de empresas e entidades. Deixou a Unipress em 1990, passando a atuar como free-lancer de publicações diversas. Em maio de 1997 transferiu-se para Brasília onde, até janeiro de 2003, prestou serviço, como consultor na área de Comunicação, ao Ministério de Desenvolvimento Agrário e ao Incra - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.
Em 2001 publicou pela Thesaurus Editora de Brasília, o livro de poesias Do Despertar da Lembrança. Lançou outros volumes de poesias: DO DESPERTAR DA DOR , ALGUNS POEMAS AMENOS, DO DESPERTAR DA LIBIDO. Além destes, preparou mas não sabemos se publicou: Pequenos Contos do Amor Proparoxítono; Os Contos Reportagens; e um romance ainda sem título.
Antônio Albino Marinho, dedicou-se à correção, revisão e copydesk de textos (principalmente livros) para editoras e autores da Capital da República.
Deixou-nos no dia 21 de abril, durante as festas de aniversário de Brasília. O poema a seguir foi escrito por João Carlos Taveira em homenagem a Antonio Albino Pinheiro Marinho.
ELEGIA PARA O POETA ANTÔNIO ALBINO
A cidade perdeu um habitante,
os pássaros perderam um irmão,
eu perdi um amigo.
Em versos cheios de desejo
e volúpia, Albino cantava o amor
com a alma de menino.
(Os homens são mesmo pouco metafísicos.
Ainda recordo sua têmpera
na estóica luta contra o tempo.)
Mas quem virá nos dizer da saudade
que hoje inaugura sua face de âmbar
no dorso desta ausência?
Livre, o poeta viaja e sonha
com amadas, musas, ninfas...
Sua palavra nos pertence!
João Carlos Taveira
Brasília, 23/4/2007.
É noite enluarada, o céu está prateado,
E a minha pena sempre vigilante
Logo se inquieta, e as palavras bordando
O branco do papel, dão-lhe cor vibrante.
A pena segue como um rio, serpeante...
Em cada traço vejo seu corpo ondulado.
Percorro seus montes, aclives excitantes...
Perco-me na sua geografia, fico aloucado.
Nessa indigestão mental de sentimentos
Ardendo de desejos e loucos delírios,
Divido com a lua e a poesia, os lamentos!
E sob a luz do luar, e das rosas, o eflúvio
Derramei os meus versos, portentos?
Não sei! Sei que vieram como um dilúvio!
Diná Fernandes - João Pessoa-PB

Quando se aproximas de mim,
Meu corpo queima de desejo,
Sinto o fogo do amor
Anseio momentos ousados de prazeres.
Quero ter em tua boca beijos ardentes,
Nas tuas mãos, fortes carícias
No teu suor ansiedade de me ter
E no teu corpo o desejo de me consumir.
Quero viajar nas ondas da paixão
Nos teus braços me banhar de prazer
E por fim satisfazer, esse desejo
Que me queima e me consome.
Poema recitado pela autora Janaína Cavalcante, durante a 28ª reunião da Academia Belojardinense de Letras e Artes, no distrito de Serra do Vento.
A mulher deste Brasil
É a flor que floresce
Acorda debaixo deste céu de anil
Vivendo uma aventura, não esquece
Trabalha neste chão varonil
É esta a mulher do meu Brasil.
A mulher deste Brasil
É muito especial
É de personalidade varonil
Seu amor é sem igual.
A mulher deste Brasil
Tem um sonho altaneiro
Se destaca entre mil
Com seu coração brasileiro.
Autor: Hazelpony, 10 anos, poema recitado na 28ª reunião da Academia Belojardinense de Letras e Artes.
Vamos à luta, meu amigo,
Que a ociosidade é a ferrugem.
Vamos ver o que há para fazer
O mais breve possível, o quanto antes.O combate é agora, suportemos;A vitória é nossa, esperemos.Não sejamos receosos de viver,
Que a vida é a chama do amor.
Não tenhamos indolência no agir,
Que a ação é o sal que dá sabor.
Levantemos, comecemos sem demora,
Que cada minuto que passa,
Temos nós menos tempo pra lutar.
Que os passos que damos diariamente
Se movam para a (re)construção.
Que as mãos abertas do mais forte
Não apanhe pedras para arremessar.
Que a casa do artista do viver
Seja o vale, seja a serra, seja o mar.Raimundo de Oliveira- membro da Academia Belojardinense de Letras
Mulher da Vida, minha Irmã.
De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades e
carrega a carga pesada dos mais
torpes sinônimos,
apelidos e apodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à-toa.
Mulher da Vida, minha irmã.
Pisadas, espezinhadas, ameaçadas.
Desprotegidas e exploradas.
Ignoradas da Lei, da Justiça e do Direito.
Necessárias fisiologicamente.
Indestrutíveis.
Sobreviventes.
Possuídas e infamadas sempre por
aqueles que um dia as lançaram na vida.
Marcadas. Contaminadas,
Escorchadas. Discriminadas.
Nenhum direito lhes assiste.
Nenhum estatuto ou norma as protege.
Sobrevivem como erva cativa dos caminhos,
pisadas, maltratadas e renascidas.
Flor sombria, sementeira espinhal
gerada nos viveiros da miséria, da
pobreza e do abandono,
enraizada em todos os quadrantes da Terra.
Um dia, numa cidade longínqua, essa
mulher corria perseguida pelos homens que
a tinham maculado. Aflita, ouvindo o
tropel dos perseguidores e o sibilo das pedras,
ela encontrou-se com a Justiça.
A Justiça estendeu sua destra poderosa e
lançou o repto milenar:
“Aquele que estiver sem pecado
atire a primeira pedra”.
As pedras caíram
e os cobradores deram s costas.
O Justo falou então a palavra de eqüidade:
“Ninguém te condenou, mulher...
nem eu te condeno”.
A Justiça pesou a falta pelo peso
do sacrifício e este excedeu àquela.
Vilipendiada, esmagada.
Possuída e enxovalhada,
ela é a muralha que há milênios detém
as urgências brutais do homem para que
na sociedade possam coexistir a inocência,
a castidade e a virtude.
Na fragilidade de sua carne maculada
esbarra a exigência impiedosa do macho.
Sem cobertura de leis
e sem proteção legal,
ela atravessa a vida ultrajada
e imprescindível, pisoteada, explorada,
nem a sociedade a dispensa
nem lhe reconhece direitos
nem lhe dá proteção.
E quem já alcançou o ideal dessa mulher,
que um homem a tome pela mão,
a levante, e diga: minha companheira.
Mulher da Vida, minha irmã.
No fim dos tempos.
No dia da Grande Justiça
do Grande Juiz.
Serás remida e lavada
de toda condenação.
E o juiz da Grande Justiça
a vestirá de branco em
novo batismo de purificação.
Limpará as máculas de sua vida
humilhada e sacrificada
para que a Família Humana
possa subsistir sempre,
estrutura sólida e indestrutível
da sociedade,
de todos os povos,
de todos os tempos.
Mulher da Vida, minha irmã.
Cora Coralina