Mulher da Vida, minha Irmã.
De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades e
carrega a carga pesada dos mais
torpes sinônimos,
apelidos e apodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à-toa.
Mulher da Vida, minha irmã.
Pisadas, espezinhadas, ameaçadas.
Desprotegidas e exploradas.
Ignoradas da Lei, da Justiça e do Direito.
Necessárias fisiologicamente.
Indestrutíveis.
Sobreviventes.
Possuídas e infamadas sempre por
aqueles que um dia as lançaram na vida.
Marcadas. Contaminadas,
Escorchadas. Discriminadas.
Nenhum direito lhes assiste.
Nenhum estatuto ou norma as protege.
Sobrevivem como erva cativa dos caminhos,
pisadas, maltratadas e renascidas.
Flor sombria, sementeira espinhal
gerada nos viveiros da miséria, da
pobreza e do abandono,
enraizada em todos os quadrantes da Terra.
Um dia, numa cidade longínqua, essa
mulher corria perseguida pelos homens que
a tinham maculado. Aflita, ouvindo o
tropel dos perseguidores e o sibilo das pedras,
ela encontrou-se com a Justiça.
A Justiça estendeu sua destra poderosa e
lançou o repto milenar:
“Aquele que estiver sem pecado
atire a primeira pedra”.
As pedras caíram
e os cobradores deram s costas.
O Justo falou então a palavra de eqüidade:
“Ninguém te condenou, mulher...
nem eu te condeno”.
A Justiça pesou a falta pelo peso
do sacrifício e este excedeu àquela.
Vilipendiada, esmagada.
Possuída e enxovalhada,
ela é a muralha que há milênios detém
as urgências brutais do homem para que
na sociedade possam coexistir a inocência,
a castidade e a virtude.
Na fragilidade de sua carne maculada
esbarra a exigência impiedosa do macho.
Sem cobertura de leis
e sem proteção legal,
ela atravessa a vida ultrajada
e imprescindível, pisoteada, explorada,
nem a sociedade a dispensa
nem lhe reconhece direitos
nem lhe dá proteção.
E quem já alcançou o ideal dessa mulher,
que um homem a tome pela mão,
a levante, e diga: minha companheira.
Mulher da Vida, minha irmã.
No fim dos tempos.
No dia da Grande Justiça
do Grande Juiz.
Serás remida e lavada
de toda condenação.
E o juiz da Grande Justiça
a vestirá de branco em
novo batismo de purificação.
Limpará as máculas de sua vida
humilhada e sacrificada
para que a Família Humana
possa subsistir sempre,
estrutura sólida e indestrutível
da sociedade,
de todos os povos,
de todos os tempos.
Mulher da Vida, minha irmã.
Cora Coralina
Entidade privada, sem fins lucrativos, com sede à Rua Siqueira Campos s/n Belo Jardim Pernambuco, tem como finalidade o fomento às artes e à língua nacional.
quinta-feira, 4 de março de 2010
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Meu Carnaval é de Cinzas
TEMPO em que sinto-me algo estranho, deslocado,
Pois se vivo o ano todo, a vida toda a sorrir,
Por que haveria, bem agora, de fazer diferente,
Já que contrariar é a regra, quando regra não há?
Feriado em que pareço bem mais sério, calado,
Pois se passo os dias, a cada dia como sendo único,
Por que teria, justo hoje, de ser de outro jeito,
Já que o irreal é o real, quando realidade não há?
Reinado de Momo, Baco tropical sem bagos, nem uvas,
Cercado, de fato, por rainhas e princesas efêmeras,
Cujos pés e passos não param, frenéticos, há horas,
Cobertas de prata, banhadas em suor, desejos e aplausos .
Início do fim de longa hibernação, letargia coletiva,
Marca, na prática, o começo de um ano já não inteiro,
De cumprir-se as promessas esquecidas há dois meses,
Vestidas de branco, regadas a licor, brindes e borbulhas.
Meu Carnaval é de Cinzas, do grito à quarta-feira derradeira,
Meu Ano Novo atrasado, há várias semanas parado, incerto e preguiçoso,
Pois não me basta estar palhaço, rei ou otimista só por três dias,
Quero rir, reinar e viver todos os dias, ser eu mesmo e mais ninguém!
Milford Maia
Pois se vivo o ano todo, a vida toda a sorrir,
Por que haveria, bem agora, de fazer diferente,
Já que contrariar é a regra, quando regra não há?
Feriado em que pareço bem mais sério, calado,
Pois se passo os dias, a cada dia como sendo único,
Por que teria, justo hoje, de ser de outro jeito,
Já que o irreal é o real, quando realidade não há?
Reinado de Momo, Baco tropical sem bagos, nem uvas,
Cercado, de fato, por rainhas e princesas efêmeras,
Cujos pés e passos não param, frenéticos, há horas,
Cobertas de prata, banhadas em suor, desejos e aplausos .
Início do fim de longa hibernação, letargia coletiva,
Marca, na prática, o começo de um ano já não inteiro,
De cumprir-se as promessas esquecidas há dois meses,
Vestidas de branco, regadas a licor, brindes e borbulhas.
Meu Carnaval é de Cinzas, do grito à quarta-feira derradeira,
Meu Ano Novo atrasado, há várias semanas parado, incerto e preguiçoso,
Pois não me basta estar palhaço, rei ou otimista só por três dias,
Quero rir, reinar e viver todos os dias, ser eu mesmo e mais ninguém!
Milford Maia
domingo, 31 de janeiro de 2010
Nós, escravocratas
Há exatos cem anos, saía da vida para a história um dos maiores brasileiros de todos os tempos: o pernambucano Joaquim Nabuco. Político que ousou pensar, intelectual que não se omitiu em agir, pensador e ativista com causa, principal artífice da abolição do regime escravocrata no Brasil.
Apesar da vitória conquistada, Joaquim Nabuco reconhecia: “Acabar com a escravidão não basta. É preciso acabar com a obra da escravidão”, como lembrou na semana passada Marcos Vinicios Vilaça, em solenidade na Academia Brasileira de Letras.
Mas a obra da escravidão continua viva, sob a forma da exclusão social: pobres, especialmente negros, sem terra, sem emprego, sem casa, sem água, sem esgoto, muitos ainda sem comida; sobretudo sem acesso à educação de qualidade.
Ainda que não aceitemos vender, aprisionar e condenar seres humanos ao trabalho forçado pela escravidão – mesmo quando o trabalho escravo permanece em diversas partes do território brasileiro –, por falta de qualificação, condenamos milhões ao desemprego ou trabalho humilhante.
Em 1888, libertamos 800 mil escravos, jogando-os na miséria. Em 2010, negamos alfabetização a 14 milhões de adultos, negamos Ensino Médio a 2/3 dos jovens. De 1888 até nossos dias, dezenas de milhões morreram adultos sem saber ler.
Cem anos depois da morte de Joaquim Nabuco, a obra da escravidão se mantém e continuamos escravocratas.
Somos escravocratas ao deixarmos que a escola seja tão diferenciada, conforme a renda da família de uma criança, quanto eram diferenciadas as vidas na Casa Grande ou na Senzala.
Somos escravocratas porque, até hoje, não fizemos a distribuição do conhecimento: instrumento decisivo para a liberdade nos dias atuais.
Somos escravocratas porque todos nós, que estudamos, escrevemos, lemos e obtemos empregos graças aos diplomas, beneficiamo-nos da exclusão dos que não estudaram. Como antes, os brasileiros livres se beneficiavam do trabalho dos escravos.
Somos escravocratas ao jogarmos, sobre os analfabetos, a culpa por não saberem ler, em vez de assumirmos nossa própria culpa pelas decisões tomadas ao longo de décadas. Privilegiamos investimentos econômicos no lugar de escolas e professores.
Somos escravocratas, porque construímos universidades para nossos filhos, mas negamos a mesma chance aos jovens que foram deserdados do Ensino Médio completo com qualidade.
Somos escravocratas de um novo tipo: a negação da educação é parte da obra deixada pelos séculos de escravidão.
A exclusão da educação substituiu o sequestro na África, o transporte até o Brasil, a prisão e o trabalho forçado. Somos escravocratas que não pagamos para ter escravos: nossa escravidão ficou mais barata e o dinheiro para comprar os escravos pode ser usado em benefício dos novos escravocratas. Como na escravidão, o trabalho braçal fica reservado para os novos escravos: os sem educação.
Negamo-nos a eliminar a obra da escravidão.
Somos escravocratas porque ainda achamos naturais as novas formas de escravidão; e nossos intelectuais e economistas comemoram minúscula distribuição de renda, como antes os senhores se vangloriavam da melhoria na alimentação de seus escravos, nos anos de alta no preço do açúcar.
Continuamos escravocratas, comemorando gestos parciais. Antes, com a proibição do tráfico, a lei do ventre livre, a alforria dos sexagenários. Agora, com o bolsa família, o voto do analfabeto ou a aposentadoria rural. Medidas generosas, para inglês ver e sem a ousadia da abolição plena.
Somos escravocratas porque, como no século XIX, não percebemos a estupidez de não abolirmos a escravidão. Ficamos na mesquinhez dos nossos interesses imediatos negando fazer a revolução educacional que poderia completar a quase-abolição de 1888.
Não ousamos romper as amarras que envergonham e impedem nosso salto para uma sociedade civilizada, como, por 350 anos, a escravidão nos envergonhava e amarrava nosso avanço.
Cem anos depois da morte de Joaquim Nabuco, a obra criada pela escravidão continua, porque continuamos escravocratas. E ao continuarmos escravocratas, não libertamos os escravos condenados à falta de educação.
Cristovam Buarque, ex-reitor da UnB, é senador pelo DF.
Apesar da vitória conquistada, Joaquim Nabuco reconhecia: “Acabar com a escravidão não basta. É preciso acabar com a obra da escravidão”, como lembrou na semana passada Marcos Vinicios Vilaça, em solenidade na Academia Brasileira de Letras.
Mas a obra da escravidão continua viva, sob a forma da exclusão social: pobres, especialmente negros, sem terra, sem emprego, sem casa, sem água, sem esgoto, muitos ainda sem comida; sobretudo sem acesso à educação de qualidade.
Ainda que não aceitemos vender, aprisionar e condenar seres humanos ao trabalho forçado pela escravidão – mesmo quando o trabalho escravo permanece em diversas partes do território brasileiro –, por falta de qualificação, condenamos milhões ao desemprego ou trabalho humilhante.
Em 1888, libertamos 800 mil escravos, jogando-os na miséria. Em 2010, negamos alfabetização a 14 milhões de adultos, negamos Ensino Médio a 2/3 dos jovens. De 1888 até nossos dias, dezenas de milhões morreram adultos sem saber ler.
Cem anos depois da morte de Joaquim Nabuco, a obra da escravidão se mantém e continuamos escravocratas.
Somos escravocratas ao deixarmos que a escola seja tão diferenciada, conforme a renda da família de uma criança, quanto eram diferenciadas as vidas na Casa Grande ou na Senzala.
Somos escravocratas porque, até hoje, não fizemos a distribuição do conhecimento: instrumento decisivo para a liberdade nos dias atuais.
Somos escravocratas porque todos nós, que estudamos, escrevemos, lemos e obtemos empregos graças aos diplomas, beneficiamo-nos da exclusão dos que não estudaram. Como antes, os brasileiros livres se beneficiavam do trabalho dos escravos.
Somos escravocratas ao jogarmos, sobre os analfabetos, a culpa por não saberem ler, em vez de assumirmos nossa própria culpa pelas decisões tomadas ao longo de décadas. Privilegiamos investimentos econômicos no lugar de escolas e professores.
Somos escravocratas, porque construímos universidades para nossos filhos, mas negamos a mesma chance aos jovens que foram deserdados do Ensino Médio completo com qualidade.
Somos escravocratas de um novo tipo: a negação da educação é parte da obra deixada pelos séculos de escravidão.
A exclusão da educação substituiu o sequestro na África, o transporte até o Brasil, a prisão e o trabalho forçado. Somos escravocratas que não pagamos para ter escravos: nossa escravidão ficou mais barata e o dinheiro para comprar os escravos pode ser usado em benefício dos novos escravocratas. Como na escravidão, o trabalho braçal fica reservado para os novos escravos: os sem educação.
Negamo-nos a eliminar a obra da escravidão.
Somos escravocratas porque ainda achamos naturais as novas formas de escravidão; e nossos intelectuais e economistas comemoram minúscula distribuição de renda, como antes os senhores se vangloriavam da melhoria na alimentação de seus escravos, nos anos de alta no preço do açúcar.
Continuamos escravocratas, comemorando gestos parciais. Antes, com a proibição do tráfico, a lei do ventre livre, a alforria dos sexagenários. Agora, com o bolsa família, o voto do analfabeto ou a aposentadoria rural. Medidas generosas, para inglês ver e sem a ousadia da abolição plena.
Somos escravocratas porque, como no século XIX, não percebemos a estupidez de não abolirmos a escravidão. Ficamos na mesquinhez dos nossos interesses imediatos negando fazer a revolução educacional que poderia completar a quase-abolição de 1888.
Não ousamos romper as amarras que envergonham e impedem nosso salto para uma sociedade civilizada, como, por 350 anos, a escravidão nos envergonhava e amarrava nosso avanço.
Cem anos depois da morte de Joaquim Nabuco, a obra criada pela escravidão continua, porque continuamos escravocratas. E ao continuarmos escravocratas, não libertamos os escravos condenados à falta de educação.
Cristovam Buarque, ex-reitor da UnB, é senador pelo DF.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
REVISITA AO BAR SAVOY

Voltei para ver outra vez
Aquele mesmo bar e restaurante
Do centro do bairro da Boa Vista,
Na cidade maurícia do Recife.
Logo de início,
Pedi um copo de chopp bem gelado,
Para matar a saudade
De anos e anos sem poder revê-lo.
A distância era grande,
E as barreiras são tantas,
Pois quando ali sentei,
Depois de tanto tempo,
Me pareceu ouvir o poeta versejar:
"São trita copos de chope,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos feitos,
trinta mil sonhos frustrados".
Voltei no tempo e no espaço,
E me pareceu um momento
Estar assistindo ao Mauro,
Com um copo de chope na mão,
Declamando esses tão famosos versos...
Não digo isso por mim,
Mas por todos os que lá sentaram
E viveram a época de ouro
Do velho Bar Savoy.
No aconchego daquela casa,
Fiz-me jovem, fiz-me forte
E no cajado da sorte
Recordei o Antenor,
O meu saudoso" Careca"
Um lorde no atendimento.
Luiz, Geraldo, Everaldo,
O índio rei do traçado,
Hoje, eu sei, advogado
Distante de todas essas coisas
Com o seu sorriso de matuto arteiro,
Era um companheiro, enfim.
No exílio, no regresso,
Na entrada, na saída,
Na chegada, na partida,
A saudade me remoe...
Por isso passo em revista
Nessa minha revisita
Meu querido Bar Savoy!
Nesses versos eu revejo
Nossa distante juventude
Quando, com muita saúde
Tomamos porres colossais...
Guardo com muita saudade
Imagens que o tempo não corroe
Por isso, passo em revista
Nessa minha revisita
Meu querido Bar Savoy Bar Savoy
Bar Savoy de outros tempos
Outros anos, outras datas
Festas, carnavais, passeatas...
Tudo era motivo
Para uma ligeira passada,
Para um papo, com ou sem compromisso
Entre um e outro gole
Nas mesas na avenida espalhadas,
Entre choros, mágoas e risadas
Espalhavam-se os sentimentos
Reencontros, despedidas
Chegadas, vindas e saídas
Um drama em cada vida
Porisso, passo em revista
Minha alegre revisita
Ao meu querido Bar Savoy!
Mas, enganou-se na conta do poeta,
Por conta da singeleza, que era
O Recife daqueles tempos!
Se hoje fosse o Mauro fazer
Aquela poesia então,
Seria mais ou menos assim:
São trinta copos de chope,
Com trezentos homens sentados,
Trezentos desejos feitos,
Trinta mil sonhos frustrados.
O poeta não contava com a
Legião dos desempregados;
A tropa dos desassistidos,
O desfile dos desesperados
A procissão dos andrajos
Morais e espirituais.
Então o texto ficaria assim:
Para cada mil copos de chope,
Haveria mil homens sentados
Cem mil desejos feitos,
Um milhão de sonhos frustrados!!!!
Gil Morais (Recife, 08/03/99) Membro da Academia Belojardinense de Letras
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
AS QUATRO VELAS
Quatro velas falavam sobre a mesa,
E falavam da vida e tudo mais.
A primeira falou: - Eu sou a paz,
Mas o mundo não quer me ver acessa.
A segunda, com suspiros desiguais,
Disse triste: - É a fé a minha empresa,
Nem de Deus se respeita a realeza
Sou supérfula, meu fogo se desfaz.
A terceira murmura já sem cor:
- Estou triste também sou o amor,
Mas perdi o fulgor como vocês.
Foi a vez da Esperança, a quarta vela:
Não desisti ninguém, a vida é bela,
E acendeu novamente as outras três.
Colaboração de DEDÉ MONTEIRO
E falavam da vida e tudo mais.
A primeira falou: - Eu sou a paz,
Mas o mundo não quer me ver acessa.
A segunda, com suspiros desiguais,
Disse triste: - É a fé a minha empresa,
Nem de Deus se respeita a realeza
Sou supérfula, meu fogo se desfaz.
A terceira murmura já sem cor:
- Estou triste também sou o amor,
Mas perdi o fulgor como vocês.
Foi a vez da Esperança, a quarta vela:
Não desisti ninguém, a vida é bela,
E acendeu novamente as outras três.
Colaboração de DEDÉ MONTEIRO
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Reforma ortográfica: saiba quais são as principais mudanças
Confira as alterações da língua portuguesa após a reforma ortográfica:
Alfabeto:
O alfabeto ganha três letras (k, y e w)
Antes: 23 letras
Depois: 26 letras
Trema:
O trema cai, de vez, em desuso, exceto em nomes próprios e seus derivados. Grafado nos casos em que o “u” é átono e pronunciado (que, qui, gue, gui), o sinal não será mais utilizado nas palavras da língua portuguesa.
Antes: lingüiça, conseqüência, freqüência
Depois: linguiça, consequência e frequência
Hífen:
O sinal não poderá ser mais usado quando a primeira palavra terminar com vogal e a segunda começar com consoante.
Antes: anti-rugas, auto-retrato, ultra-som
Depois: antirrugas, autorretrato, ultrassom
O hífen também não deve ser grafado quando a primeira palavra terminar com letra diferente da que começar a segunda
Antes: auto-estrada, infra-estrutura
Depois: autoestrada, infraestrutura
O sinal deverá ser usado quando a palavra seguinte começa com b, h, r, m, n ou com vogal igual à ultima do prefixo
Antes: anti-imperialista, super-homem, inter-regional, sub-base
Depois: anti-imperialista, super-homem, inter-regional, sub-base
Outro caso que se faz necessário o uso do hífen é quando a primeira palavra terminar com vogal ou consoante igual à letra que começar a segunda
Antes: microônibus, contraataque, microondas
Depois: micro-ônibus, contra-ataque, micro-ondas
Acento agudo:
Os ditongos abertos “éi” e “ói” das palavras paroxítonas não serão mais acentuados
Antes: jibóia, apóio, platéia, européia
Depois: jiboia, apoio, plateia, europeia
* As palavras herói, papéis e troféu continuam sendo acentuadas porque têm a ultima sílaba mais forte
O acento some também no “i” e no “u” tônicos quando vierem depois de ditongo em palavras paroxítonas
Antes: feiúra, bocaiúva
Depois: feiura, bocaiuva
* O acento permanece se o “i” ou o “u” estiverem na ultima sílaba, a exemplo de Piauí e tuiuiú
Na letra “u” dos grupos que, qui, gue e gui o acento também deixa de existir
Antes: apazigúe, averigúe
Depois: apazigue, averigue
O acento diferencial também some em alguns casos
Antes: pára, péla, pêlo, pólo, pêra
Depois: para, pela, pelo, polo, pera
* O acento diferencial não deixa de ser usado em pôr (verbo) / por (preposição) e pôde (pretérito) / pode (presente). Fôrma também continua sendo acentuada para ser diferenciada de forma.
Acento circunflexo:
O acento circunflexo some nas palavras terminadas em “êem” e “ôo”
Antes: crêem, vêem, lêem, enjôo
Depois: creem, veem, leem, enjoo
Alfabeto:
O alfabeto ganha três letras (k, y e w)
Antes: 23 letras
Depois: 26 letras
Trema:
O trema cai, de vez, em desuso, exceto em nomes próprios e seus derivados. Grafado nos casos em que o “u” é átono e pronunciado (que, qui, gue, gui), o sinal não será mais utilizado nas palavras da língua portuguesa.
Antes: lingüiça, conseqüência, freqüência
Depois: linguiça, consequência e frequência
Hífen:
O sinal não poderá ser mais usado quando a primeira palavra terminar com vogal e a segunda começar com consoante.
Antes: anti-rugas, auto-retrato, ultra-som
Depois: antirrugas, autorretrato, ultrassom
O hífen também não deve ser grafado quando a primeira palavra terminar com letra diferente da que começar a segunda
Antes: auto-estrada, infra-estrutura
Depois: autoestrada, infraestrutura
O sinal deverá ser usado quando a palavra seguinte começa com b, h, r, m, n ou com vogal igual à ultima do prefixo
Antes: anti-imperialista, super-homem, inter-regional, sub-base
Depois: anti-imperialista, super-homem, inter-regional, sub-base
Outro caso que se faz necessário o uso do hífen é quando a primeira palavra terminar com vogal ou consoante igual à letra que começar a segunda
Antes: microônibus, contraataque, microondas
Depois: micro-ônibus, contra-ataque, micro-ondas
Acento agudo:
Os ditongos abertos “éi” e “ói” das palavras paroxítonas não serão mais acentuados
Antes: jibóia, apóio, platéia, européia
Depois: jiboia, apoio, plateia, europeia
* As palavras herói, papéis e troféu continuam sendo acentuadas porque têm a ultima sílaba mais forte
O acento some também no “i” e no “u” tônicos quando vierem depois de ditongo em palavras paroxítonas
Antes: feiúra, bocaiúva
Depois: feiura, bocaiuva
* O acento permanece se o “i” ou o “u” estiverem na ultima sílaba, a exemplo de Piauí e tuiuiú
Na letra “u” dos grupos que, qui, gue e gui o acento também deixa de existir
Antes: apazigúe, averigúe
Depois: apazigue, averigue
O acento diferencial também some em alguns casos
Antes: pára, péla, pêlo, pólo, pêra
Depois: para, pela, pelo, polo, pera
* O acento diferencial não deixa de ser usado em pôr (verbo) / por (preposição) e pôde (pretérito) / pode (presente). Fôrma também continua sendo acentuada para ser diferenciada de forma.
Acento circunflexo:
O acento circunflexo some nas palavras terminadas em “êem” e “ôo”
Antes: crêem, vêem, lêem, enjôo
Depois: creem, veem, leem, enjoo
terça-feira, 10 de novembro de 2009
CONSCIÊNCIA NEGRA
Cinco importantes autores negros da literatura mundial.
Nada mais propício do que relembrar no dia da Consciência Negra, comemorado no dia 20 de novembro, cinco escritores negros que têm seus nomes marcados na história da literatura mundial.
Machado de Assis: O escritor, que era descendente de escravos alforriados, é o autor dos célebres romances “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “Dom Casmurro”. Segundo o crítico literário americano Harold Bloom, o brasileiro é o maior autor negro da literatura ocidental: “Machado reúne os pré-requisitos da genialidade. Possui exuberância, concisão e uma visão irônica ímpar do mundo”, comentou.
Lima Barreto: O autor contemporâneo de Machado ficou consagrado pelo livro “Triste Fim de Policarpo Quaresma”. Barreto é responsável por frases lapidares, como a que resume o comportamento político no país: “O Brasil não tem povo, tem público”. Apesar de ter deixado poucos trabalhos, seu legado foi passado para a geração modernista, sobretudo Mario de Andrade.
Nelson Saúte: O moçambicano tem sua pátria como tema central de seus poemas e romances. Em “Os Narradores da Sobrevivência”, publicado em 2000, Saúte retrata a guerra civil que assolou Moçambique na década de 1980. A vantagem é ver o que se passa no continente africano a partir da visão de um de seus habitantes, e não pelo que mostra Hollywood ou fala artistas como Bono Vox e Madonna.
Agostinho Neto: Para quem pretende se aprofundar na história da África pós-colonial, os livros de Agostinho Neto devem ser de cabeceira. Ele foi o primeiro presidente de Angola e vencedor do Prêmio Lênin da Paz. Seus poemas trazem a temática da libertação e da união negra, como “Voz do Sangue”, que diz: “Eu vos sinto/negros de todo o mundo/eu vivo a vossa Dor/meus irmãos”.
Toni Morrison: É a ganhadora do Nobel por “A Canção de Solomon”, cujo personagem central busca sua identidade negra a partir do resgate dos seus antepassados. O livro já foi discutido e recomendado por Oprah Winfrey, apresentadora afro-americana de talk-shows. Depois de Richard Wright, autor negro dos anos de 1940, foi a segunda afro-descendente a vencer o National Book Award dos EUA.
Nada mais propício do que relembrar no dia da Consciência Negra, comemorado no dia 20 de novembro, cinco escritores negros que têm seus nomes marcados na história da literatura mundial.
Machado de Assis: O escritor, que era descendente de escravos alforriados, é o autor dos célebres romances “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “Dom Casmurro”. Segundo o crítico literário americano Harold Bloom, o brasileiro é o maior autor negro da literatura ocidental: “Machado reúne os pré-requisitos da genialidade. Possui exuberância, concisão e uma visão irônica ímpar do mundo”, comentou.
Lima Barreto: O autor contemporâneo de Machado ficou consagrado pelo livro “Triste Fim de Policarpo Quaresma”. Barreto é responsável por frases lapidares, como a que resume o comportamento político no país: “O Brasil não tem povo, tem público”. Apesar de ter deixado poucos trabalhos, seu legado foi passado para a geração modernista, sobretudo Mario de Andrade.
Nelson Saúte: O moçambicano tem sua pátria como tema central de seus poemas e romances. Em “Os Narradores da Sobrevivência”, publicado em 2000, Saúte retrata a guerra civil que assolou Moçambique na década de 1980. A vantagem é ver o que se passa no continente africano a partir da visão de um de seus habitantes, e não pelo que mostra Hollywood ou fala artistas como Bono Vox e Madonna.
Agostinho Neto: Para quem pretende se aprofundar na história da África pós-colonial, os livros de Agostinho Neto devem ser de cabeceira. Ele foi o primeiro presidente de Angola e vencedor do Prêmio Lênin da Paz. Seus poemas trazem a temática da libertação e da união negra, como “Voz do Sangue”, que diz: “Eu vos sinto/negros de todo o mundo/eu vivo a vossa Dor/meus irmãos”.
Toni Morrison: É a ganhadora do Nobel por “A Canção de Solomon”, cujo personagem central busca sua identidade negra a partir do resgate dos seus antepassados. O livro já foi discutido e recomendado por Oprah Winfrey, apresentadora afro-americana de talk-shows. Depois de Richard Wright, autor negro dos anos de 1940, foi a segunda afro-descendente a vencer o National Book Award dos EUA.
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